terça-feira, 14 de julho de 2009

Água de lastro transporta por dia 7 mil espécies marinhas ao redor do globo
Espécies como a Minhoca do Mar "viajam" na água de lastro

Lastro é definido como qualquer volume sólido ou líquido colocado em um navio para garantir sua estabilidade e condições de flutuação. O termo "água de lastro" refere-se, então, à água coletada nas baías, estuários e oceanos, destinada a facilitar a tarefa de carga e descarga. Quando um navio está descarregado, seus tanques recebem água de lastro para manter sua estabilidade, balanço e integridade estrutural. Quando ele é carregado, a água é lançada ao mar. A introdução de espécies marinhas exóticas em diferentes ecossistemas, por meio da água do lastro dos navios e por incrustação no casco foi identificada como uma das quatro maiores ameaças aos oceanos do mundo. As outras três são: fontes terrestres de poluição marinha, exploração excessiva dos recursos biológicos do mar e alteração/destruição física do habitat marinho.

O transporte marítimo movimenta mais de 80% das mercadorias do mundo e transfere internacionalmente 3 a 5 bilhões de toneladas de água de lastro a cada ano. Um volume similar pode, também, ser transferido por ano domesticamente, dentro dos países e regiões. A água de lastro é absolutamente essencial para a segurança e eficiência das operações de navegação modernas, proporcionando equilíbrio e estabilidade aos navios sem carga.

Entretanto, isso pode causar sérias ameaças ecológicas, econômicas e à saúde, pois juntamente com o lastro podem ser transportadas algas tóxicas, espécies exóticas e patogênicos como o vibrião colérico. Existem milhares de espécies marinhas que podem ser carregadas junto com a água de lastro dos navios; basicamente qualquer organismo pequeno o suficiente para passar através das entradas de água de lastro e bombas. Isso inclui bactérias e outros micróbios, pequenos invertebrados e ovos, cistos e larvas de diversas espécies. Estima-se que, o movimento de água de lastro proporcione o transporte diário de pelo menos 7 mil espécies entre regiões do globo.

No Brasil têm-se pouca divulgação do problema associado ao lastro, sendo que, esporadicamente, aparecem notícias sobre o aparecimento de espécies exóticas que conseguiram se fixar em nossas águas. A invasão mais conhecida proporcionada pela água de lastro refere-se ao mexilhão dourado, Limnoperna fortunei, um molusco bivalve originário dos rios asiáticos, em especial na China. Esses moluscos são encontrados, geralmente, fixado a substratos duros, naturais ou artificiais, dos rios asiáticos. Esse organismo de água doce e salobra foi introduzido no Rio da Prata, Argentina, em 1991, avançando pelos rios Paraná e Paraguai, tendo se estabelecido no Pantanal.

A invasão silenciosa do mexilhão dourado já provoca impactos sócio-econômicos significativos para a economia e a parte da população, uma vez que entope os filtros protetores das companhias de abastecimento de água potável, exigindo manutenções mais freqüentes; impedem o funcionamento normal das turbinas da Usina de Itaipu, com custos de quase US$ 1 milhão a cada dia de paralisação desnecessária do sistema; forçam mudanças nas práticas de pesca de populações tradicionais; e prejudicam o sistema de refrigeração de pequenas embarcações, fundindo motores.

Nos Estados Unidos bilhões de dólares já foram gastos para controlar a invasão do mexilhão zebra, o que se traduz como um sinal de alerta para as autoridades brasileiras quanto às reais necessidades envolvidas nesses tipos de invasões.
(foto: Tatiana Menchini Steiner do Departamento de Zoologia - IB/Unicamp)

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