segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Orquídeas serão devolvidas à natureza
Quem vê a floresta amazônica lá do alto, logo a descreve como um mundo verde. Muitos ignoram a variedade de tons escondidos entre as árvores gigantescas. Famosas pela beleza de suas formas e cores, as orquídeas são encontradas em quase todos os países do mundo. Estima-se que sejam mais de 35 mil espécies. Na Amazônia, já foram catalogadas 709, 260 delas genuinamente paraenses.
Apesar da diversidade, a coleta indiscriminada e a devastação de seus habitats ameaçam a sobrevivência das orquídeas amazônicas. Algumas espécies, típicas das áreas de várzea da Região Metropolitana de Belém, hoje, são raramente vistas em ambientes naturais. São encontradas somente em orquidários particulares. "Pouco tem sido feito para reverter esse quadro desolador, apesar da unanimidade quando se fala da beleza e da importância ecológica das orquídeas", alerta o professor Marco Antônio Menezes Neto, da Faculdade de Biologia da UFPA.
Laboratório: mais flores em menor tempo
Além do aspecto ornamental, orquídeas fornecem produtos alimentícios, fármacos ou matérias--primas aproveitadas pela indústria, e imprescindíveis serviços ambientais. Na natureza, elas estão quase sempre no alto das árvores. O pesquisador Marco Antônio Menezes Neto esclarece que "é comum encontrarmos pessoas que consideram as orquídeas parasitas e, por isso, retiram-nas das árvores onde elas se fixam. Na verdade, as orquídeas estão procurando, apenas, um lugar ao sol para fazerem a fotossíntese e não prejudicam essas outras plantas. Elas se alimentam de nutrientes contidos na água da chuva e na poeira do ar, além de estabelecerem, comumente, uma relação muito específica com fungos que auxiliam em sua nutrição”.
Nenhuma espécie botânica é capaz de produzir tantas sementes num único fruto como as orquídeas. Embora produzam até milhões de sementes no ambiente natural, apenas algumas germinam e pouquíssimas se tornarão plantas adultas. A germinação das sementes depende de uma relação mutualística com fungos, que nutrem os embriões durante os estágios iniciais de desenvolvimento. “As orquídeas também se relacionam com determinados insetos, desenvolvendo sofisticadas estratégias para atrair os polinizadores. Daí, a beleza incomum e o cheiro agradável de suas flores.", conta Marco Antônio Menezes Neto.
Em laboratório, a cultura assimbiótica ou semeadura in vitro de orquídeas aumenta a porcentagem de germinação. A técnica consiste em cultivar as sementes em meio nutritivo até que se transformem em plantas completas. “Esse método é importante do ponto de vista comercial e ecológico, pois possibilita o aumento da variabilidade genética das espécies propagadas e permite a produção de um grande número de orquídeas em um curto espaço de tempo", revela o pesquisador.
Ele explica que há outras formas de reprodução de orquídeas, as quais funcionam como uma espécie de clonagem das plantas. No entanto, como o objetivo da pesquisa é reintroduzi-las em seu ambiente natural, é interessante que elas sejam diferentes entre si, ou seja, “precisamos assegurar a variabilidade genética para aumentarmos as chances de que as orquídeas voltem a habitar um determinado ambiente natural. Assim, elas estarão mais preparadas para enfrentar as adversidades de seu meio”, justifica.
"Já multiplicamos 27 espécies, cerca de dez delas são amazônicas, a maioria do gênero cattleya. A intenção é ir aumentando esse número gradativamente, por isso precisamos da colaboração de orquidófilos que possam doar material para a coleta de sementes. Não precisamos de mudas ou de flores, basta uma autorização para ir até a planta e coletar seu fruto, que, normalmente, é descartado pelo criador. Também podemos reproduzir, in vitro, espécies a pedido dos orquidófilos. Estamos abertos a parcerias”, convida Marco Antônio Menezes Neto.
Em breve, de volta à floresta
O projeto iniciou em agosto de 2007 e, em breve, será hora de reintroduzir as plantas adultas no meio ambiente. Elas serão plantadas em áreas de preservação públicas e privadas. "Já fizemos alguns contatos e pretendemos plantar orquídeas no Jardim Botânico da Amazônia Bosque Rodrigues Alves, no Parque Ambiental do Utinga, no Museu Zoobotânico Emílio Goeldi, no Crocodilo Safari Zoo e em uma área privada localizada, em Santo Antônio do Tauá. Quando o momento chegar, vamos convidar escolas de ensino médio e fundamental para participarem da reintrodução, com o objetivo de despertar nesses jovens a consciência da importância da preservação dessas plantas", revela o professor.
As orquídeas amazônicas pertencem, principalmente, aos gêneros Catasetum; Epidendrum; Maxillaria; Habenaria e Encyclia. Os três primeiros ainda são vistos em Belém. "Esses gêneros conseguiram desenvolver algumas estratégias para se adaptarem às modificações feitas pelo homem no espaço. Uma espécie do gênero Maxillaria, por exemplo, é encontrada no alto das mangueiras distribuídas pelo Centro de Belém”, lembra. No entanto, o pesquisador adverte: “essas situações não diminuem os riscos de desaparecimento de espécies pela destruição das áreas verdes que restaram na cidade ou pela retirada predatória das plantas e flores, o que já pode ter extinguido orquídeas endêmicas, ou seja, as que só existiam em um determinado lugar nem sequer foram descobertas”.
Para Marco Antônio Neto, as plantas produzidas in vitro, a partir do cultivo assimbiótico de sementes, são altamente interessantes para programas de reintrodução de espécies nativas em áreas de preservação ambiental, e talvez programas desse tipo sejam a única solução viável para salvar algumas espécies de orquídeas amazônicas. “A possibilidade de admirar a beleza das orquídeas não pode ser um privilégio de poucos. A beleza de suas flores deve promover a satisfação da coletividade. Para isso, é fundamental que essas plantas maravilhosas sejam reintroduzidas em parques, praças, jardins botânicos ou em qualquer área acessível ao público”, deseja.

por Glauce Monteiro
foto Alexandre Moraes
Fonte: beira do rio Jornal da Universidade Federal do Pará
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4 comentários:

Anônimo disse...

Bela postagem, talvez as pessoas não imaginam a maravilha que existe na floresta Amazônica ,pensa que só tem árvores girantes e rios,não imaginam que existe muitas belas flores e orquídeas em troncos de árvores .Muito boa a postagem parabéns estou adorando o site.

Paula Souza
Recife PE

Anônimo disse...

Orquidários estão ficando cada vez mais próprios e não á natureza, quase não se ver mais orquídeas selvagens, tem gente que tira as orquídeas da natureza e vende como se fosse uma bugiganga da China.Adorei a postagem.
Belo Horizonte MG

Anônimo disse...

Bela postagem parabéns por divulgar assuntos de arte e cultura e meio ambiente,parabéns adorei o blog e site.
Cláudia Matarezzi
São Paulo

Anônimo disse...

Parabéns por dilvulgar informações tão importante como essa das orquídeas tirada da floresta.Parabéns sucesso
Feliz Natal
Joana Cabral Nunes
Palmas TO

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