quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Naturais do Estado de São Paulo

As espécies de peixes de água doce e marinhos, além de répteis, aves, mamíferos e anfíbios que existem no Estado de São Paulo acabam de ganhar “RG” e “comprovante de endereço”.



O programa Biota-FAPESP elaborou e disponibilizou na terça-feira (14/12), no site da revista eletrônica do programa, a Biota Neotropica, uma lista oficial e atualizada das espécies de vertebrados e invertebrados que compõem a biota paulista.
O anúncio foi feito pelo coordenador do programa, Carlos Alfredo Joly, durante a conferência internacional Getting Post 2010 – Biodiversity Targets Right, realizada pelo Programa Biota-FAPESP juntamente com a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Bragança Paulista (SP). A reunião, que terminou no dia 15 de dezembro, marcou o encerramento do Ano Internacional da Biodiversidade.


De acordo com Joly, inicialmente a lista é composta por espécies de cinco grupos de vertebrados – peixes de água doce e marinhos, anfíbios, répteis, aves e mamíferos – e 21 grupos de invertebrados. Mas os números de espécies catalogadas devem aumentar já nos próximos meses.


“A lista está em construção. Logicamente que ela sempre será modificada e atualizada porque novas espécies vão ser descritas e encontradas”, disse Joly à Agência FAPESP.


Até janeiro, os pesquisadores pretendem disponibilizar, também para consulta pela internet, a lista de 7,2 mil espécies de plantas fanerógamas (com sementes) que integram a flora paulista. E, posteriormente, a de outros grupos de plantas, como líquens, samambaias, musgos e algas.


Um dos principais objetivos da lista é ser uma referência científica das espécies de animais e plantas que ocorrem no Estado de São Paulo para estabelecer medidas de conservação.


A listagem poderá ser utilizada para a elaboração de uma relação de espécies ameaçadas, com os nomes científicos válidos e referendados, ou para melhorar os mapas de distribuição das espécies.


“Com essas listas, é possível identificar onde essas espécies podem ocorrer no Estado de São Paulo e verificar se os lugares onde elas podem habitar estão bem conservados ou não”, disse Tiago Egger Moellwald Duque-Estrada, gestor executivo do Biota-FAPESP.


Outra utilidade da lista, segundo Joly, será garantir a repartição de benefícios dos recursos genéticos da biodiversidade entre os países onde isso foi decidido, que foi um dos maiores avanços da 10ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), realizada no fim de outubro em Nagoya (Japão).


A medida estabelece, por exemplo, que se uma molécula de uma determinada espécie de planta levar ao desenvolvimento de um produto pela indústria farmacêutica ou cosmética, os lucros deverão ser compartilhados com os países que demonstrarem que a espécie ocorre em seu território.


“É claro que haverá espécies que estão presentes em mais de um país e uma das maneiras de se comprovar onde determinada espécie ocorre é por meio de uma lista de espécies oficiais”, disse Joly.


Em função disso, conforme a meta estabelecida na Cúpula Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Johanesburgo (Rio+10), em 2002, os países deveriam ter apresentado este ano, em Nagoya, as listas oficiais de plantas, animais e microrganismos que ocorrem em seus territórios. Mas, a exemplo dos outros 16 países que apresentam alta biodiversidade – conhecidos como “megadiversos” –, o Brasil não conseguiu apresentar suas listagens completas.


“O que conseguimos apresentar foi uma lista parcial de espécies de plantas, que está disponível no site do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e que foi resultado de um esforço bastante grande. Mas não conseguimos avançar ainda nas listas de animais e, principalmente, de microrganismos, que é mais difícil de elaborar devida à quantidade muito grande de subespécies”, explicou Joly.


Segundo o coordenador do Biota-FAPESP, entre os principais obstáculos para a elaboração da lista oficial das espécies brasileiras está o trabalho de coordenação, que consiste em fazer revisões e correções dos dados das espécies, e o engajamento de pesquisadores para que contribuam.


Na opinião de Joly, uma das formas mais eficientes de elaborar a lista brasileira seria por meio das sociedades científicas, como as de zoologia, ictiologia e botânica, que poderiam realizar o trabalho de coordenação.


“O fato de São Paulo ter saído na frente será um incentivo para que outros estados também se animem a fazer suas listas, e isso deve acelerar o processo de elaboração da lista oficial de espécies brasileiras. Como todas as espécies do Estado de São Paulo já estão catalogadas, elas poderão ser automaticamente inseridas em uma lista nacional”, afirmou.


Novo sistema de informação


As listas das espécies de vertebrados e invertebrados do Estado de São Paulo começaram a ser produzidas na fase de planejamento do programa Biota-FAPESP, quando os pesquisadores envolvidos no projeto fizeram um levantamento sobre o que se conhecia da biodiversidade paulista até então. A pesquisa resultou na publicação, em 1999, da série Biodiversidade no Estado de São Paulo, composta por sete volumes.


Em 2009, por ocasião da comemoração dos dez anos do programa Biota-FAPESP, os coordenadores do projeto iniciaram o processo de atualização das informações da série. A iniciativa resultou na publicação das listas das espécies na internet em 14 de dezembro daquele ano.


De acordo com Joly, além de possibilitar à comunidade científica encontrar informações sobre as espécies do Estado de São Paulo reunidas em um único volume, as listas também exercerão o papel de dicionário no novo Sistema de Informações do Programa Biota-FAPESP, o SinBiota 2.0.


Desenvolvido no âmbito do Instituto Virtual de Pesquisas FAPESP-Microsoft Research, o novo sistema visa a diminuir erros de digitação dos nomes de novas espécies nas entradas de informação no SinBiota.


“Com o novo sistema e as listas atualizadas das espécies, no momento em que o pesquisador submeter uma planilha de espécies com nomes grafados de forma incorreta o sistema indicará que o nome cadastrado tem uma grafia diferente. Isso certamente reduzirá os erros de digitação, que acabavam causando confusão”, disse
Por: Elton Alisson, de Bragança Paulista (SP) Fonte: Agência FAPESP
Mais informações: www.biotaneotropica.org.br/v11n1a/pt

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