terça-feira, 4 de março de 2008

O Parque Nacional das Emas
Francamente, a cada notícia trágica sobre a degradação das Unidades de Conservação me convenço que nos falta coragem para discutir e mudar o nosso modelo de gestão de Unidades de Conservação, particularmente Parques Nacionais.

Predominam certo ambientalismo anhanguera, a cultura de ruptura e desrespeito às comunidades envolventes e, ainda, os ranços colonialistas. Só os nossos processos comunitários é que serão capazes de garantir uma gestão sustentável das UCs, ao contrário dos modelos terceirizados, policialescos, burocráticos e tecnocráticos. Nenhum patrimônio natural e cultural se fará universal se não for antes comunitário, local, nacional e de cada indivíduo que o envolve.

Andei visitando Parques Nacionais na Nova Zelândia e na Argentina. Nesses países, há melhores índices de preservação de fauna e flora, ao mesmo tempo em que têm uso público mais intensivo, tantas vezes sem remoção de populações. Só esses dados deveriam ser suficientes para nos levar a refletir e a agir.

Essa história de remover populações tradicionais do interior dos Parques já passou dos limites. Fomenta a especulação - o preço do hectare vai à estratosfera cada vez que uma área entra em processo de desapropriação, viola o direito dessas mesmas comunidades e nos remete à situação bizarra de não termos nehum dos nossos parques regularizados e, portanto, indefinidamente sem os essenciais planos de manejo.

A continuar prevalecendo o atual modelo, o mínimo que se pode esperar é que os investimentos nas Zonas de Amortecimento sejam intensos, contínuos, competentes, eficientes, de longa duração e monitorados até que obtenhamos uma completa estabilização da Unidade, das populações envolventes e da Zona de Amortecimento.

Devo dizer que, particularmente, passei a me recusar a continuar prestando consultorias em tais áreas por entender que as atuais abordagens são fragmentadas e descontínuas. Acho, inclusive, que o terceiro setor deveria passar a se recusar a fazer o papel de amortecedor das ações degradadoras do Estado e das elites econômicas dominantes e principiar a exigir planos e projetos densos e consequentes, refutando, terminantemente, a indústria de consultorias que se criou em torno de questão tão essencial para a vida humana.

Carecemos de uma revolução cultural na abordagem do patrimônio natural do Brasil, seja no Estado, seja na Sociedade Civil Organizada.

Ricardo Attuch

Lixo eletrônico

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