quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Xangai enfeitiçado!

Não encontrei melhor termo para definir o que aconteceu dia 14 de fevereiro, no show do cantor e ícone da musica popular brasileira, Xangai. Além do repertório das canções por ele interpretadas, os convidados ilustres que nos presentearam com interpretações maravilhosas, uma surpresa inclusive para o próprio cantor, a presença da poeta, ou poetisa como ele disse preferir, a maranhense Lília Diniz.
Ela já é conhecida dos palcos de Brasília, dos cafés e saraus por trazer marcas originais de uma sertaneja nata, por cantar as quebradeiras de coco babaçu, as lavadeiras, a gente da roça, agora faz um retorno às suas origens, voltou ao Maranhão.
Lília Diniz é dessas figuras que chega como quem nada quer até abrir o baú de versos brejeiros. Já foi chamada “a patativa maranhense” pelo colunista do Correio Brasiliense José Carlos Vieira da coluna Fala Zé, ou ainda de “Cora Coralina do maranhão”, desta vez não deixou nada a desejar diante do anfitrião. Cantou, recitou e brincou à vontade com os convidados e com o cantador que se derreteu ao ouvir Lilia recitando “essência” e “Birra de muié” e cantarolar em louvor as quebradeiras, termo que ela mesma usa ao falar do seu trabalho.
O cantor Xangai, estrela da noite, convidou a poeta sem sequer conhecer o trabalho dela, haviam se falado no dia anterior ela o presenteou com o seu livro Miolo de Pote da Cacimba de Beber, trocaram algumas palavras e no dia seguinte lá estava ela. Segundo Lília Diniz, a generosidade do cantador ao abrir espaço pra ela foi um crédito aberto e que ela não mediu esforços pra fazer com muita responsabilidade seu oficio de poeta. Mas ela, no palco, parece não fazer esforços, pois sua poesia flui com naturalidade e leveza e força ao mesmo tempo. Força esta que encantou e levou às lagrimas muitos homens e mulheres presentes e também enfeitiçados pela “baixinha birrenta”.
Xangai ficou no palco, boquiaberto, tentou dedilhar pra acompanhar, mas se deixou seduzir pela performance, ria e olhava como se não acreditasse. Por fim relaxou e deixou a bola com ela, que mais uma vez mostrou a força da poesia e das “mulheres interiores do Brasil”.
Os elogios choveram em aplausos demorados, cumprimentos e abraços calorosos. Marcos que é funcionário público e disse acompanhar o trabalho da poeta em Brasília, não se conteve em lagrimas – “essa mulher é uma gigante quando abre os braços e a boca que jorra em versos arrebata a gente. É uma autentica brasileira.” Edgar que é professor disse que já havia ouvido falar de Lília, mas que “ela é muito mais do que alguém possa definir e é um perigo alguém entrar pra falar poesia depois dela. A gente ouve a outra pessoa com saudade dela” e ri chamando a poeta pra um abraço caloroso e demorado.
Como resultado de tudo, veio a coroação com um convite oficial da casa, que já recebeu nomes ilustres como: Dona Ivone Lara, Fernando Brant, Dércio Marques, Milton Nascimento e Francis Hime, para uma pauta no palco já consagrado em Brasília, pela boa comida e boa programação musical.


Lauro Soares
Artista plástico e apreciador dos cardápios do Feitiço Mineiro
soareslauros@gmail.com

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