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sexta-feira, 6 de julho de 2012

Regularização da Terra Indígena (TI) Marãiwatsédé

A Fundação Nacional do Índio (Funai) reafirma a legalidade do processo de regularização da Terra Indígena (TI) Marãiwatsédé, homologada por decreto presidencial em 1998, como de posse permanente e usufruto exclusivo do povo Xavante.

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sábado, 23 de junho de 2012

Terra nós devemos protegê-la

"Respiramos todos um só ar, bebemos todos a mesma água, vivemos todos em uma só Terra. Nós devemos protegê-la." [Cacique Raoni]

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domingo, 10 de junho de 2012

OS ENAWENÊ-NAWÊ:O QUE A GLOBO NÃO DISSE


Numa produção milionária, com belíssim...as imagens, a emissora global levou ao ar, logo depois do dia mundial do meio ambiente e no ambiente da Rio+20, o programa com a reportagem sobre os Enawenê-Nawê. Pena que muitas questões não foram ao ar, como a grande pressão e invasão das madeireiras da região, que criminosamente tem retirado madeira dos seus territórios. Os Enawenê denunciaram a preocupante e humilhante diminuição dos peixes em função da construção de dezenas de pequenas hidrelétricas no curso do rio Juruena. Além disso, por ocasião da definição dos limites do território desse povo, o governo deixou de fora um dos mais importantes rios, o Rio Preto. Por que até hoje não se reviu essa grave violação aos direitos dos Enawenê?Já se passaram 20 anos do bárbaro assassinato de Vicente Cañas Costa, missionário que vivia com os indígenas no estado de Mato Grosso. Com sinal de perfurações e afundamento craniano, O crime ocorreu porque Cañas apoiava a demarcação da terra Enawenê-Nawê e trabalhava pela saúde deste povo. Um julgamento de três dos acusados de participação no assassinato acabou acontecendo em Cuiabá, sem condenação dos acusados.

Fonte: CIMI
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quarta-feira, 6 de junho de 2012

plano de ação para reduzir a mortalidade infantil e materna nas aldeias indígenas em todo o Brasil.

Depois da pressão dada pelos indígenas no Ministério da Saúde, principalmente os de Santa Catarina que ainda se encontram em Brasília, o governo anunciou nesta terça- (05) a criação de um plano de ação para reduzir a mortalidade infantil e materna nas aldeias indígenas em todo o Brasil. O lançamento foi considerado pelo governo como pontapé inicial para a Rio+20. Segundo o plano, será oferecido à população indígena, através de profissionais de saúde: consultas, procedimentos odontológicos; avaliação nutricional; exames de pré-natal; visitas domiciliares; busca ativa de casos de tuberculose e malária; controle do crescimento e desenvolvmento; testes rápidos para HIV, Sífilis e Hepatites B e C e atualização do cartão vacinal.DISTRITOS PRIORITÁRIOS – Os 16 DSEIs selecionados para o Plano de Ação Imediata são: Yanomâmi (RR e AM), Mato Grosso do Sul (MS), Xavante (MT), Interior Sul (SP, PR, SC e RS), Tocantins (TO), Alto Rio Negro (AM), Maranhão (MA), Leste Roraima (RR), Alto Rio Solimões (AM), Alto Rio Juruá (AC), Alto Rio Purus (AC, AM, RO), Vale do Javari (AM), Altamira (PA), Kaiapó do Mato Grosso (MT), Médio Rio Purus (AM), Médio Rio Solimões e Afluentes (AM). Os demais 18 DSEI também estão assegurando a entrada em área das suas equipes e farão parte do Plano de reestruturação do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena.
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sábado, 2 de junho de 2012

TERRA INDÍGENA RAPOSA SERRA DO SOL-CONVOCAMOS A TODOS PELA JUSTIÇA-BASTA DE IMPUNIDADE!!

O Conselho indígena de Roraima, vêm manifestar seu repúdio quanto a absolvição dos três acusados de assassinar brutalmente, o índio macuxi, ALDO DA SILVA MOTA. Aldo Macuxi desapareceu, após receber um recado para que fosse buscar bezerro na Fazenda do Retiro, antiga ocupação do ex-vereador, Francisco das Chagas de Oliveira.O corpo foi encontrado sete dias depois e o atestado de óbito do Instituto Médio Legal (IML) de Roraima deu como causa morte natural e indefinida. Entretanto autópsia do IML de Brasília comprovou que Aldo fora assassinado a tiros. Os suspeitos Robson Belo Gomes e Eliseu Samuel Martin, ambos empregados de Francisco das Chagas de Oliveira, foram presos. Agora, foram todos absolvidos. Já foram assassinadas 21 lideranças indígenas, 54 ameaças de morte, 51 tentativas de homicídios, 80 casas destruídas, 71 prisões ilegais, 05 roças queimadas e 05 cárceres privados. Do lado contrário, todos os não-índios receberam as indenizações por suas benfeitorias. Os familiares estão solicitando ao MPF/RR para recorrer e também a FUNAI, que nesse primeiro julgamento ficou ausente, fugindo assim de sua missão constitucional.
Fonte: http://www.cimi.org.br/site/​pt-br/​?system=news&action=read&id=629​8

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quarta-feira, 25 de abril de 2012

TERRAS INDÍGENAS SERÃO IMPACTADAS

É um absurdo! TERRAS INDÍGENAS SERÃO IMPACTADAS, e principalmente de INDÍGENAS I...SOLADOS. Já chega a situação deles em território peruano!!! Divulguem mais esse ABSURDO!

Na manhã desta terça-feira (24/4) o Governo do Estado do Acre realizou um encontro com a sociedade civil do vale do Juruá para IMPOR A PROSPECÇÃO DE GÁS E PETRÓLEO NA REGIÃO.

A partir do mês de maio a empresa Geo Radar deve começar a detonação de explosivos no subsolo nas chamadas “linhas de prospecção”. Esta fase é chamada de prospecção sísmica terrestre.

A representante da Agência Nacional do Petróleo, Marina Abelha, disse que o interesse da ANP em realizar a prospecção de gás e petróleo na região faz parte da estratégia nacional de conhecer as potencialidades do subsolo da região.

A fala do vice-governador, César Messias, deixou claro que não querem ouvir ninguém, mais uma obra que vem de cima para baixo: “O impacto ambiental de Urucum é menor do que o de um posto de lavagem de carros”, disse o vice-governador , referindo-se à atual tecnologia de exploração.

Já estão pensando em royallities. Lógico, compra-se tudo com royalites, ainda mais numa região como a do Juruá, onde, nas palavras do vice-governador, já é dada como certa a exploração de petróleo e gás: “Poderemos fazer investimentos pesados em saúde, educação, infraestrutura e principalmente, em meio ambiente”.
 Texto de Erika Mesquita
De: Sonia Mariza Martuscelli
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segunda-feira, 16 de abril de 2012

VoZeS dA ViDA - Povo KRAHÔ

Povo Krahô pede socorro e denuncia descaso das autoridades no atendimento de seus direitos básicos nas aldeias localizadas entre os municípios de Goiatins e Itacajá, no Tocantins.

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sexta-feira, 2 de março de 2012

Yawanawá prova da espinha de peixe

Entre os costumes e tradições mostradas pelo Yawanawá vale destacar a prova da espinha de peixe, realizada por indígenas que estejam com “desejo de vingança”. Em duplas, cada oponente dá duas investidas a toda força com talo de bananeira nas costas do outro. Ao final, a dupla exibe orgulhosamente as marcas das chibatadas e dão as mãos sinalizando que as pendências entre eles estão resolvidas. Pode...m participar da prova mulheres e crianças. Dentro do festival é possível degustar a culinária típica da etnia, cujos ingredientes predominantes são as carnes de caça e peixes, além de iguarias à base de batata, milho, banana e mamão. Também são utilizados elementos de rituais sagrados, como rapé e ayahuasca.

Para chegar à Aldeia Nova Esperança, o visitante deve pegar um vôo de Rio Branco até um dos dois municípios que ficam em volta da terra indígena e depois percorrer a BR 364, até a ponte do Rio Gregório. Na ponte, pequenos barcos fazem o trajeto até a aldeia. O deslocamento pode durar até 8h por conta das condições de navegabilidade, mas o tempo é compensado pela paisagem que proporciona a floresta, inspiração para os turistas.
Por: Matuala Martins

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Pintura Corporal Indígena


Uma das características que mais marcam a cultura indígena, é a pintura corporal que pode ser vista como tão necessária e importante esteticamente como a roupa usada pelo “homem branco”. A pintura corporal para os índios tem sentidos diversos, não somente na vaidade, ou na busca pela estética perfeita, mas pelos valores que são considerados e transmitidos através desta ...arte. Feita de jenipapo, carvão ou urucum, tem como objetivo diferir os povos, determinar a função de cada um dentro da aldeia e até mostrar o estado civil. Algumas índias utilizam esse método, por exemplo, para “dizer” que estão interessadas em encontrar um parceiro.O processo de preparação da tinta consiste em ralar a fruta com semente e depois misturá-la com outros pigmentos, como o carvão, para diversificar as cores.Nos dias comuns a pintura pode ser bastante simples, porém nas festas, nos combates, mostra-se requintada, cobrindo também a testa, as faces e o nariz. A pintura corporal é função feminina, a mulher pinta os corpos dos filhos e do marido. Cada etnia tem sua própria marca e se alguma outra utilizar a mesma, uma luta entre as aldeias pode ocorrer.A etnia Tenharim, do Amazonas, faz desenhos de bolas em todo o corpo para se caracterizar. Homens usam desenhos maiores para se diferenciarem das mulheres e imporem uma posição de liderança. Já na aldeia Tapirapé, do Mato Grosso, homens podem usar as mesmas figuras das mulheres, mas as mulheres não podem usar as dos homens. Esta é uma arte muito especial porque não está associada a nenhum fim utilitário, mas apenas a pura busca da beleza.

Vaidade também faz parte do dia a dia das mulheres. Elas fazem questão de enfeitar o rosto com belas pinturas, não importa a idade que tenham. As tintas utilizadas para pintura corporal são confeccionadas a partir de raízes e semente.
Por Mantuala Martins

domingo, 8 de janeiro de 2012

Criança indígena de 8 anos é queimada viva por madeireiros

O Conselho Indigenista Missionário (CIMI) confirmou, a informação que uma criança da etnia Awá-Gwajá, de aproximadamente 8 anos, foi assassinada e queimada por madeireiros na terra indígena Araribóia, no município de Arame, distante 476 km de São Luis. A denúncia feita pelo Vias de Fato, foi postada logo após receber um telefonema de um índio Guajajara denunciando o caso.


De acordo com Gilderlan Rodrigues da Silva, um dos representantes do CIMI no Maranhão, um índio Guajajara filmou o corpo da criança carbonizado. ”Os Awá-Gwajás são muito isolados, e madeireiros invasores montaram acampamento na Aldeia Tatizal, onde estavam instalados os Awá. Estamos atrás desse vídeo, ainda não fizemos a denúncia porque precisamos das provas em mãos” disse Gilderlan.

Violência contra indígenas é fato recorrente no Maranhão, no dia 26 de setembro de 2011, conforme denunciamos aqui nesse site, uma senhora indígena do Povo Canela, Ramkokamekrá Conceição Krion Canela, de 51 anos foi encontrada morta a pauladas. A atrocidade aconteceu no Povoado Escondido, interior de Barra do Corda. No mês de outubro, uma índia de 22 anos, deficiente mental, da terra indígena Krikati foi violentada sexualmente por um homem identificado como Francildo. Segundo Belair de Sousa, coordenador técnico da terra indígena, o indivíduo chegou na aldeia Campo Grande armado. O CIMI Nacional informou que vai emitir nota pedindo apuração do caso do assassinato da criança Awá.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

À sombra de um delírio verde

Lançamento do documentário indígena
Brasília - Indígenas assistem ao lançamento do documentário "À sombra de um delírio verde", que conta a luta dos Guarani-Kaiowá, etnia indígena com a maior população do Brasil

Fonte: Agência Brasil
Renato Araújo/ABr

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Flautas sagradas dos Baniwa voltam a ser ouvidas no Alto Rio Negro

A intolerância religiosa de missionários evangélicos mal esclarecidos fez calar a tradição ancestral de um povo tradicional amazônico. Mas a resiliência ecocultural se manifestou e depois de tanto tempo o som das flautas e as danças tradicionais voltaram a reviver esse mesmo povo.


Talvez a antropologia explique uma certa facilidade para a música de raiz entre as gentes da grande área ecocultural circum-caribe de tronco aruaque.
(comentário nosso)

Escola Pamáali, danças tradicionais Baniwa voltam a acontecer depois de muitos anos de silêncio.
Formatura de alunos de ensino fundamental na Escola Pamáali (foto: Plinio M).

Tradicionalmente, as flautas e instrumentos são guardadas em igarapés, lá podem ficar quanto tempo for necessário, quando são retirados para as festas o som continua sendo o mesmo, muitas vezes melhor do que antes. Deixar os instrumentos na água é uma forma certa de preservar e manter as flautas em plenas condições de serem usadas.

Antes da chegada dos missionários evangelicos na região, os Baniwa realizavam suas festas de comemorações e rituais que eram realizadas em certos períodos. Depois da chegada deles, a forma de viver nas comunidades mudou também. Houve uma conversão em massa da população. Depois de alguns anos, outros preferiram voltar a viver como viviam antes, outros preferiram seguir a nova crença. Muitos velhos deixaram de passar o rico conhecimento de danças e muito conhecimento tradicional que possuiam. As flautas foram guardadas, o conhecimento guardado e demorou muito tempo para que voltasse a soar. A região ficou em silencio por um bom tempo, embora em algumas comunidades ainda estivessem acontecendo, mas, o trecho do médio ficou em silencio.

Quando em 2004, as flautas voltaram a soar na região, na primeira formatura de ensino fundamental da escola Pamáali. Dezessete jovens, e ao redor mais de 300 pessoas assistindo aquilo que há tempo os olhos não viam. Alguns velhos ficaram emocionados ao ver e ouvir o som das flautas. Quanto tempo demorou para tirarem as flautas das águas. Depois, em outras formaturas continuaram as apresentações. Hoje, na região é comum ver danças tradicionais em eventos e recpções.

Demorou, mas, é muito bom saber que os velhos não deixaram o conhecimento e as danças desaparecerem, apenas guardaram elas nos igarapés, porque sabiam que algum dia eles iriam usá-las.

Publicado em Alunos, Conhecimentos Indígenas, Cultura do meu povo, Cultura dos Povos do Rio Negro, Escola Pamáali, Imagens, Imagens da Escola Pamáali, Uncategorized

quinta-feira, 17 de junho de 2010

"Se o penhor dessa igualdade Conseguimos conquistar".

Hino Nacional Brasileiro (em língua tupi).
por cortesia de Dulce Roque para a rede


Embeyba Ypiranga sui, pitúua,

Ocendu kirimbáua sacemossú
Cuaracy picirungára, cendyua,
Retama yuakaupé, berabussú.
Cepy quá iauessáua sui ramé,
Itayiuá irumo, iraporepy,
Mumutara sáua, ne pyá upé,
I manossáua oiko iané cepy.

Iassalssú ndê,
Oh moetéua
Auê, Auê !

Brasil ker pi upé, cuaracyáua,
Caissú í saarússáua sui ouié,
Marecê, ne yuakaupé, poranga.
Ocenipuca Curussa iepê !
Turussú reikô, ara rupí, teen,
Ndê poranga, i santáua, ticikyié
Ndê cury quá mbaé-ussú omeen.

Yby moetéua,
Ndê remundú,
Reikô Brasil,
Ndê, iyaissú !

Mira quá yuy sui sy catú,
Ndê, ixaissú, Brasil !
Ienotyua catú pupé reicô,
Memê, paráteapú, quá ara upé,
Ndê recendy, potyr America sui.
I Cuaracy omucebdy iané !
Inti orecó puranguáua pyré,
Ndê nhu soryssára omeen potyra pyré,
ÌCicué pyré orecó iané caaussúî.
Iané cicué, ìndê pyá upé, saissú pyréî

Iassalsú ndê,
Oh moetéua
Auê, Auê !

Brasil, ndê pana iacy-tatá-uára
Toicô rangáua quá caissú retê,
I quá-pana iakyra-tauá tonhee
Cuire catuama, ieorobiára kuecê.
Supi tacape repuama remé
Ne mira apgáua omaramunhã,
Iamoetê ndê, inti iacekyé.

Yby moetéua,
Ndê remundú,
Reicô Brasil,
Ndê, iyaissú !

Mira quá yuy sui sy catú,
Ndê, ixaissú,
Brasil !

Hino Nacional Brasileiro
Música: Francisco Manuel da Silva
Letra: Joaquim Osório Duque Estrada
Ouviram do Ipiranga às margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.

Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio ó liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!

Ó Pátria amada

Idolatrada
Salve! Salve!

Brasil de um sonho intenso, um raio vívido,
De amor e de esperança à terra desce
Se em teu formoso céu risonho e límpido
A imagem do Cruzeiro resplandece
Gigante pela própria natureza
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza,

Terra adorada!
Entre outras mil
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada

Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada
Brasil!

Deitado eternamente em berço esplêndido,
ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!
Do que a terra mais garrida
Teus risonhos lindos campos tem mais flores,
Nossos bosques têm mais vida
Nossa vida no teu seio mais amores

Ó Pátria amada
Idolatrada
Salve! Salve!

Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro dessa flâmula
Paz no futuro e glória no passado
Mas se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte,

Terra adorada!
Entre outras mil
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada

Dos filhos deste solo és mãe gentil
Pátria amada
Brasil!

SEM EDUCAÇÃO NÃO HÁ SOLUÇÃO:
ESCREVER A TODOS E A NINGUÉM É MEU PROBLEMA. LER OU NÃO LER É PROBLEMA DOS OUTROS.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Solidariedade e apoio à luta do povo Tupinambá

ENTIDADES DO SUL DA BAHIA SE SOLIDARIZAM COM A COMUNIDADE DA SERRA DO PADEIRO
Diversas Entidades da Sociedade Civil Organizada da Região sul da Bahia visitaram nesta terça-feira (16/03) a comunidade da Serra do Padeiro do Povo Tupinambá de Olivença, no município de Buerarema. Cerca de 30 representantes de Pastorais da Igreja Católica, Sindicatos, ONG’s, Estudantes, Movimento Negro, Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE), Escola Agrícola Comunitária Margarida Alves de Ilhéus, Associação para o Resgate Social Camacaense (ARES), Conselho de Cidadania Paroquial (CCP), Irmãs Agostinianas e Franciscanas catequistas, além de representantes do Fórum de Luta apor Terra, Trabalho e Cidadania da Região Cacaueira, que articula mais de 40 Entidades. Esta visita acontece dois dias depois da visita de lideranças dos trabalhadores rurais sem terra (14/03).

As duas visitas tiveram como objetivo prestar solidariedade e apoio à luta do povo Tupinambá pela demarcação do seu território e, sobretudo apoio e solidariedade aos familiares e à comunidade do cacique Rosivaldo Ferreira (Babau), preso de maneira irregular no último dia 10, quando teve a porta de sua casa arrombada por volta das 2:00 da manhã.

Durante a visita, todos tiveram a oportunidade de conhecer algumas áreas retomadas pela comunidade e constatar o enorme progresso alcançado pelos indígenas nas mesmas, ao comparar com as fotografias feitas quando do início das retomadas. Áreas que estavam completamente abandonadas, em intenso processo de desmatamento, hoje nas mãos de muitas famílias indígenas, produzem: roças de mandioca, banana da terra, banana da prata, cupuaçu, abacaxi, feijão, abobora, várias frutíferas, além de terem sido construídas duas grandes casas de farinhas, criação de pequenos animais, escolas, estradas bem cuidadas. Para alguns que estavam indo pela primeira vez, uma enorme surpresa e indignação, para um dos alunos da Escola Agrícola Margarida Alves: “O que a imprensa tem divulgado lá fora é totalmente o contrário do que vimos aqui, uma comunidade acolhedora e trabalhadora, que tem sido tratada como um bando de bandidos e vagabundos, isto revolta qualquer um”. Para o representante da Fase Bahia, “O que tem acontecido com os Tupinambás de Olivença é um enorme ataque premeditado e promovido por todos aqueles que defendem o atual modelo de desenvolvimento estabelecido na região, um modelo excludente e que desconsideram qualquer modelo alternativo e ai não só os índios são atacados e criminalizados, mas também os agricultores familiares são penalizados e muitas vezes ainda servem como massa de manobra daqueles que defendem este modelo. O atual modelo privilegia os grandes cultivos de monocultura como o Eucalipto, projeto como o Porto Sul, ferrovias, complexos minerários e siderúrgicos, construção de barragens e pequenas hidrelétricas ou gasodutos”.

Contra este modelo de desenvolvimento que privilegia a poucos, estão os povos indígenas, os trabalhadores rurais, tanto é que já foram chamados pelo próprio Presidente da República como um “empecilho” ao desenvolvimento. A este tipo de Desenvolvimento, perguntamos: Desenvolvimento para que? E Para quem?

Ao relatar a prisão violenta de seu irmão Babau, Magnólia se emociona, mas mantém firme a decisão da comunidade na luta pela reconquista de seu território, e para todos que ali estavam fica claro que a prisão do cacique nada mais é, que parte deste enorme processo de criminalizar as lutas dos movimentos sociais, como forma de tentar abafar ou até mesmo calar as lideranças de frente da luta. Magnólia e todos da comunidade presentes na reunião afirmam: “Que as denúncias contra o cacique Babau são mentirosas e implantadas como forma de tentar inibir a comunidade, mas que eles não conseguirão nos intimidar, pois confiamos em nossos encantados e contamos com o apoio de nossos aliados e amigos”.
Ao final do encontro as Entidades presentes plantaram mudas de frutíferas doadas pela Escola Margarida Alves, como um gesto simbólico de compromisso com a luta do Povo Tupinambá. E lançam nota de protesto ao processo de criminalização contra a luta do povo Tupinambá. Para os representantes da CPT as diversas visitas e a sua representatividade desmentem os meios de comunicação que afirmam que o sul da Bahia faz festa com a prisão do cacique Babau
Itabuna, 17 de março de 2010.
Equipe Itabuna
Conselho Indigenista Missionário
Fotos: Haroldo Heleno

quarta-feira, 3 de março de 2010

A ética e a estética de Claudia Andujar
Novo livro da fotógrafa expõe a dupla face do contato dos índios com o homem branco e as marcas que disso resultam
Por Juan Esteves*
Um longo percurso geográfico – e espiritual – foi tomado pela fotógrafa Claudia Andujar desde sua saída, em 1944 , ainda aos treze anos, da cidade romena de Oradea, então sob o domínio húngaro, até suas fotografias dos índios Yanomami registradas entre 1981 e 1983, e sua publicação no livro Marcados, agora em 2009.

Depois de mais de sessenta anos, Claudia Andujar propõe, através de sua arte fotográfica, uma interpretação de sua herança paterna, revisitando o holocausto e seus desdobramentos, que nesta ínfima centelha temporal se unem aos índios Yanomami. Uma longa caminhada que ainda está longe de vislumbrar seu término, distante de encontrar seu entendimento e, talvez, sua paz.

As marcas começam em 1944 com a estrela de Davi, (o Mogen David) costurada nos trajes de seus pares, mais precisamente no peito deles, amarela e bem visível, a não deixar dúvidas. Deste tempo de crueldades restou um retrato de um colega da escola por quem se apaixonou, guardado por muitos anos. Peças que ainda reverberam na fotógrafa e que foram acolhidas ao longo de sua importante obra.

O retrato não sobreviveu até 1981, quando a fotógrafa acompanhou os médicos Rubens Brando e Francisco Pascalichio, da Comissão pela criação do Parque Yanomami, às entranhas da Amazônia brasileira. Era o tempo que ultrapassava o "milagre brasileiro" dos anos 70 e a ideia era criar uma sistemática de saúde que não permitisse reduzir as aldeias a alguns poucos indivíduos, como vinha acontecendo.

Os "retratos marcados" surgiram de anotações para um registro médico dos Yanomami. Era necessário identificá-los. Uma placa era pendurada no pescoço, como aqueles números de plástico antigos, iguais aos dos passaportes ou das fichas criminais da polícia. Uma nova identidade era criada para crianças, adolescentes, adultos e velhos Yanomami.

Na série de retratos Claudia Andujar não tenta exorcizar o método, muito menos justificá-lo. Para ela, tratava-se de um esforço na busca da sobrevivência destes seres humanos. Aquela mesma busca a que assistira nos judeus contemporâneos de sua infância. Um sentimento que desperta não só ambiguidade, mas uma digressão moral cujo papel na fotografia se torna extremamente importante.

Os Yanomami "marcados" de Claudia Andujar não estão no caminho da morte, como ela mesmo ressalta. Ao contrário, seguem o caminho da vida. O registro de um ato humanitário, que encontra anos depois um conceito estético que transpõe o registro documental. A professora e escritora Stella Senra, em seu texto "O último círculo", ensaio que acompanha o livro, alerta para a raridade da relação entre postura ética e estética. Para a pensadora, a obra da fotógrafa é paradigmática nesse sentido.

O artista parisiense Christian Boltanski (que nasceu em 1944) em sua obra Le suisse morts (1990) ou em muitas outras em que ele se apropria de retratos fotográficos, relembra em sua sintaxe o holocausto. Neste caso, diz o artista, o retrato fotográfico se reporta sempre a alguém desaparecido. No sentido oposto, sem dúvida, o caráter ontológico suscitado pelos retratos de Claudia Andujar gera a questão proposta a priori pela fotógrafa: a preservação daqueles indivíduos.

Nestes belíssimos retratos, Claudia Andujar nos proporciona uma síntese de uma grande história que, se às vezes adquire contornos trágicos, às vezes também nos devolve a crença na restauração da ordem natural. Também confirma que na relação intrínseca entre a arte fotográfica e a realidade, a subjetividade ora torna-se presente, ora ausente por trás de cada olhar. A questão da numeração de cada indivíduo – tão cara ao passado da fotógrafa – por suas mãos se transmuta da morte para a vida.

Estas alternativas fazem parte da dinâmica do processo determinado pela fotógrafa. Para Stella Senra, Claudia Andujar está "atenta ao modo como cada Yanomami se põe ou é posto diante da câmera, ao seu comportamento diante do dispositivo fotográfico". Mais adiante, ela também registra que a documentação e a ação fotográfica não se relacionam do mesmo modo, sendo o ato de fotografar uma "exigência da ação".

Neste aspecto, cada retrato se distancia do mero registro antropológico. Cada Yanomami se transforma em protagonista da obra da fotógrafa, assim como assume seu papel de importância ao se posicionar com atitude. Esta confere reverência, ora irreverência. Em alguns momentos expressam sua intranquilidade, para instantes depois revelarem até mesmo certa sensualidade. Podem exibir tudo, menos a indiferença diante da câmera.

O que realmente importa para Claudia Andujar é o "ser" Yanomami. Não há dúvida que a câmera fotográfica tornou-se uma prótese através da qual ela se manifesta, não com militância, mas sim como credo. Neste sentido, as detalhadas informações escritas pela fotógrafa nas oito páginas anexadas na edição constituem-se numa liturgia a ser seguida no acompanhamento de suas imagens.

Antonino, o protagonista de Italo Calvino no conto "A aventura de um fotógrafo" chega a uma conclusão: "Talvez a verdadeira fotografia seja um monte de fragmentos de imagens privadas, sobre o fundo amarrotado dos massacres e das coroações". Não há dúvida que alheio à ficção, o retrato fotográfico de Claudia Andujar é uma expressão maior deste relato. Que a sua colocação no tempo e espaço definido por ela balizam o comportamento do presente e do futuro.

Difícil não pensar em todos estes Yanomami retratados por Claudia Andujar como "fragmentos" de uma grande história que ela vem mantendo viva desde sua infância até os dias de hoje. E, não fosse por ela, a sempre juntar estes importantes pedaços de sua alma, certamente os mesmos não passariam de imagens amarrotadas e caídas no esquecimento.
*Juan Esteves é fotógrafo, editor e crítico de fotografia

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Índios fecham sede da Funai em protesto contra extinção de postos do órgão
Índios de varias etnias fazem protesto na sede da Funai, pedindo a volta dos postos indigenas que foram fechados em vários estados Brasília - Cerca de 500 índios fecharam hoje (12) a sede da Fundação Nacional do Índio (Funai) protestando contra o Decreto 7.056, editado em 28 de dezembro do ano passado, que, segundo eles, extingue administrações e postos do órgão.


“Esse decreto, que havia sido anunciado como uma medida de reestruturação da Funai, nada mais significa do que a extinção de 24 das cerca de 50 administrações regionais [do órgão indigenista] e de todos os postos indígenas no país”, afirmou o cacique geral Caboquinho Potiguara, indicado porta-voz das cerca de 20 etnias que participam do protesto.
O decreto, em vigor desde o dia 4 de janeiro, tem previsão de ser sancionado no dia 21 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Fomos surpreendidos pelo teor do decreto, que extingue inclusive administrações regionais tidas como de referência até mesmo pelo presidente da Funai [Márcio Meira]”, disse o cacique.
Entre as administrações extintas, Potiguara destacou as da Paraíba e de Pernambuco. “A pedido do Márcio Meira, feito durante as reuniões bimestrais do CNPI [Conselho Nacional de Política Indigenista], fizemos inclusive palestras para apresentar a experiência dessas administrações a outras unidades do país. Esse decreto representa uma traição dele contra os povos indígenas”, afirmou.
Segundo Potiguara, Meira nunca falou sobre o decreto durante as reuniões do CNPI. “Por isso, reivindicamos também a sua destituição do cargo. A coisa foi feita com má intenção e, para piorar, presidente e diretores [da Funai] pediram férias no dia seguinte à edição do decreto”, afirmou.
De acordo com o cacique, o decreto prevê a criação de coordenações técnicas no lugar das administrações. Ele disse que, nessas coordenações, dois ou três funcionários teriam de dar conta de toda a demanda que era administrada por dezenas de funcionários. Na administração de Pernambuco, por exemplo, eram 160 servidores e, na da Paraíba, 40, lembrou Potiguara.
Até o início da tarde, conforme cálculo do cacique, 500 índios participavam da manifestação e mais mil estavam a caminho. “Não sairemos daqui enquanto não falarmos com o presidente Lula ou com o ministro [da Justiça] Tarso Genro”,disse Potiguara, que se recusa a negociar com qualquer outro representante do governo.
Ele informou que um assessor da Presidência da República, Paulo Maldo, ficou de marcar um encontro dos índios com o presidente Lula, uma vez que o ministro da Justiça está de férias e não se encontra em Brasília. Segundo o indígena, o assessor disse que não estava a par do teor do decreto.
“Por causa desse decreto, todos os projetos que vinham sendo tocados pelas 24 administrações regionais extintas foram paralisados. E, entre eles, os produtivos, os fundiários, e os desenvolvidos pelos grupos de trabalho que fazem levantamentos técnicos e antropológicos”, lamentou o cacique.
Representantes de cerca de 20 etnias participam da manifestação em Brasília. Além dos Potiguara, que levaram 180 índios, há também representantes das etnias Tabajara, Xucurú, Fulni-ô, Atikum, Carajás, Xavantes, Kaiapó, Cambiwá e Terena, entre outras.

Fonte: Agência Brasil
Pedro Peduzzi Repórter da
Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr Brasília
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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Afro-brasileiros e indígenas estão "atolados" na pobreza, diz alta-comissária da ONU Paula
Laboissière Repórter da Agência Brasil
Elza Fiúza/ABr

Brasília - A alta-comissária da ONU para Direitos Humanos, Navanethem Pillay, cumprimenta o Capitão Potiguar, que apresentou relatório sobre a situação dos povos indígenas no Brasil Brasília - A alta-comissária da Organização das Nações Unidas (ONU) para Assuntos de Direitos Humanos, Navanethem Pillay, voltou a criticar hoje (13), em seu último dia de visita ao Brasil, a situação de negros e indígenas no país. Ambas as populações, segundo ela, estão “atoladas” na pobreza, além de não ter acesso aos serviços básicos e nem a oportunidades de emprego.Durante entrevista coletiva, Pillay se referiu à questão dos povos indígenas como invisível e lembrou que, de todos os funcionários federais e estaduais que conheceu durante a visita, nenhum deles tinha origem indígena. Para a alta-comissária, o fato serve como um indicativo de uma contínua marginalização.“A maior parte dos povos indígenas do Brasil não está se beneficiando do impressionante progresso econômico do país e está sendo retida na pobreza pela discriminação e indiferença, expulsa de suas terras na armadilha do trabalho forçado.”Em relação aos negros, Pillay ressaltou que a violência aparece como uma das principais causas de morte no grupo. Ela insistiu que há, no Brasil, uso excessivo de força tanto de agentes policiais quanto de milícias. “Até que isso mude, a situação vai prejudicar o progresso do Brasil em muitas outras frentes.” A alta-comissária retorna hoje para Genebra, na Suíça, após uma visita de três dias a cidades como Rio de Janeiro, Salvador e Brasília. ','').

domingo, 8 de novembro de 2009

Ritual da Imagem, Arte Asurini do Xingu exibida em Belo Horizonte/MG
O Museu do Índio (RJ), da Fundação Nacional do Índio, inaugura a exposição “Ritual da Imagem – Arte Asurini do Xingu” no próximo dia 5, às 19 horas, no Museu de Artes e Ofícios – MAO/ Instituto Cultural Flávio Gutierrez em Belo Horizonte. Durante o período da mostra, haverá venda de objetos. A renda obtida reverterá para a Associação Asurini Awaeté.

O evento, por meio da comercialização, pretende valorizar os modos de fazer tradicionais da cerâmica e do grafismo Asurini, promovendo a transmissão dos saberes entre as gerações. O objetivo é mostrar a arte indígena não apenas como uma mercadoria, mas como um bem cultural, que traz o modo de viver de um povo - um patrimônio a ser preservado.
Hoje, o grupo Asurini soma, aproximadamente, 150 pessoas, falantes da língua Asurini, da família lingüística Tupi-guarani, e a sua aldeia se localiza a poucas horas da cidade de Altamira, no Estado do Pará. Na sua economia atual, comercializam a produção de objetos da cultura material, dentre eles, as peças da arte cerâmica que os distinguem fortemente dos outros povos indígenas brasileiros por sua elaborada decoração com desenhos geométricos e acabamento em verniz vegetal.


SERVIÇO
Inauguração: 05/11/2009, às 19h.Praça da Estação s/nº Centro – Belo Horizonte – MGTel: (31) 3248-8600Período: de 6 a 29 de novembro de 2009Horário de visitação: de terça a sexta-feira, das 12 às 19h;às quartas, das 12 às 21h;sábados, domingos e feriados, das 11 às 17h.Contato: RJ - (21) 3214-8705BH - (31) 3248-8600

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Por uma vigília cívica em socorro ao povo Guarani-Kaiowá
Estive com os Guarani-Kaiowá, em Aty Guasu realizada de 13 a 17, na aldeia Yvy Katu, município de Iguatemi, em Mato Grosso do Sul. A Aty Guasu reuniu cerca de 350 lideranças Guarani-Kaiowá e convidados – entre eles, lideranças Terena e pequena delegação Guarani da Bolívia; antropólogos, representantes da Funai, do Ministério Público e da Advocacia Geral da União, além da senadora Marina Silva e alguns devotados aliados. Cheguei a Ivy Katu no dia 13 e saí à noite do dia 16, depois de anunciada a decisão das lideranças naquela assembléia indígena.

É a construção dessa decisão que me sinto na obrigação de relatar, com extrema preocupação, à sociedade brasileira do século 21.

Durante três dias as lideranças Kaiowá expuseram a realidade de cada comunidade ali representada e questionaram seus convidados sobre as possibilidades ao alcance de cada qual na solução da extrema precariedade em que vivem cerca de 40 mil pessoas daquele povo no Mato Grosso do Sul: as poucas reservas estão em áreas ambientalmente degradadas, são pequenas e abarrotadas de gente, sem as condições mínimas de existência digna – ainda menos conforme os costumes e tradições Guarani-Kaiowá; outras áreas, demarcadas e homologadas mais recentemente, encontram-se igualmente degradadas e ainda invadidas por fazendas monocultoras de cana, soja ou gado, obrigando a comunidade indígena ao confinamento em seu próprio território; outros grupos Kaiowá estão distribuídos em 23 acampamentos – sendo 21 na beira de estradas federais que cortam o Mato Grosso do Sul.

Visitei um desses acampamentos, quando viajava de Campo Grande a Iguatemi. Eram os despejados mais recentes: 132 pessoas – 60 crianças, outros tantos jovens, mulheres grávidas, idosos e um pequeno grupo de homens adultos. Abrigadas sob precaríssimas barracas feitas de galhos quaisquer, cobertas por plásticos sobrepostos, as pessoas se misturam ao que restou de suas roupas e utensílios, sob calor intenso durante o dia, o frio da noite e o desespero nas noites de chuva e vendaval comuns neste período. Não têm água nem lenha para cozinhar o que recebem de doação da Funai. Não têm paz ou segurança, sob constante vigilância e provocação de pistoleiros e seus patrões em torno do acampamento. À noite, tiros de armas de fogo vez por outra alternam com o ronco dos caminhões que trafegam pesados em direção ao Sul industrial do País: cana para fabricação de biocombustível; soja para alimentar o gado europeu – co-exportação de água e minério em grão. Tudo cultivado e colhido sobre crime ambiental que contabiliza apenas 7% do cerrado remanescente à monocultura agropecuária (que sequer alimenta a população brasileira). Produtos do crime, em grande parte comercializados pela Petrobrás e financiados pelo BNDES, para entusiasmo do governo estadual. Incômodos sob as rarefeitas matas ciliares das fazendas, incômodos ao DNIT na beira das estradas, os Guarani-Kaiowá despejados não têm acolhimento em lugar algum – sem nada de seu, além da própria vida.

Essa realidade está posta em grave escala, sob a luz do sol, em área pública. Em alguns casos, estão assim expostos há anos, como legiões de gente absolutamente indefesa, covardemente esbulhada – e, apesar de tudo, invisível.

Na reunião das lideranças, em Yvy Katu, cada um dos oradores indígenas expôs, além da situação de sua comunidade, suas ponderações e uma mesma determinação final. O conjunto das ponderações, em português inculto, esfregava em nossa cara pálida a dimensão de nossa ignorância:

“Eu só queria falar com o juiz que assinou o despejo de minha comunidade. Eu preciso muito perguntar pra ele se, quando mandou nós embora, ele pensava de nós ir pra Portugal ou pra Espanha. Porque nós não veio de lugar nenhum, nós é daqui e nós não tem pra onde ir”.

“Os brancos não sabem que, depois que Deus fez esta terra e botou água nos rios, fez a mandioca e o índio. Por isso o índio é a praga da terra: onde se mata 10, vai nascer 100”.

“O branco pensa que é dono do mundo. Pensa que sabe tudo? Mas ele não sabe de nós, porque chegou ontem. Como poderia saber de nós? Eu já comi a terra que vai me comer – muitas vezes.”

“As autoridades e as leis diz que tem de indenizar o fazendeiro pelas benfeitorias que fez. Que benfeitoria que ele fez? Acabou com a mata e os bichos que viviam nela, secou os rios, envenenou a terra. Fez casa e cerca com a madeira da mata que derrubou pra muito mais que o permitido na lei do próprio branco e ainda matou os índios. Cadê as benfeitorias? O branco tinha de pagar indenização pelos índios que esbulhou, humilhou e matou, além de todo mal que fez pra natureza. E essa indenização devia de ser aplicada no apoio pra quem precisa curar a terra, limpar os rios e refazer suas casas.”

“A cultura do branco é a cultura da enganação. Por isso tem de botar tudo no papel – mas o papel também derrete. O filme dele é sempre assim: o governador mente, o candidato promete, o advogado inventa e o juiz assina. Pura enganação o tempo todo”.

Cada um dos convidados, por sua vez, confessou que não dispõe de meios para alterar o quadro desolador em que vivem essas populações. Cada um dos convidados, a seu modo, reafirmou sua solidariedade, mas também a convicção de que só os índios podem transformar seu destino, sensibilizando a sociedade brasileira para a sua luta, de modo que, juntos, constranjam as autoridades a cumprirem com justiça e devidamente suas funções públicas e as leis.

Enquanto construíam as conclusões de sua Aty Guasu, os oradores indígenas montaram um discurso unânime, feito da soma de expressões mais ou menos assim:

“Disseram que é nós que tem de resolver, não foi? Então nós vai resolver com o único recurso que nós ainda tem.
Avisa lá que nós vai dar um prazo de 30 dias pro governo garantir o trabalho dos tropólo (antropólogo) nas áreas e concluir os estudo que o juiz exige pra nós ter o direito de ficar na sombra da mata, perto do rio, onde ainda tem água, lenha e alguma pouca caça pra nós ir passando enquanto espera a Justiça resolver o resto.
Avisa lá que, se não tiver tropólo nas áreas, em 30 dias, nós vai entrar nos 32 tekohá (terra de origem) com nossos maracá. E, como nós não pode contra as armas dos pistoleiros, nós vai morrer lá mesmo – pode até mandar as máquina escavadeira só pra enterrar nós lá. Porque, se há de nós viver morrendo, escondido atrás do medo, perdido no meio do mundo, nós vai morrer no nosso tekohá. Se não dá pra viver lá, é lá que nós quer morrer e ser enterrado. Porque quem morre pela justiça e o bem é acolhido pelas mão de Deus na eternidade. Vocês avisa lá que o único recurso que nós ainda tem é a nossa vida. Mas o bem do nosso povo é a razão da nossa vida. Esse bem é tão precioso que morrer por isso ainda é pouco”.

Este é o terceiro milênio, o século 21, nós não estamos em 1500. Mas, não nos iludamos, a nossa atitude em relação aos povos originários deste continente ainda é a mesma com que os colonizadores europeus dizimaram 1 milhão de pessoas por século, desde o “descobrimento”. E digo nós, porque os que não o fazemos diretamente, o fazemos por omissão – quem cala consente; ou por consumo do etanol e da carne produzidos sobre o crime ambiental e o genocídio; ou pelo voto displicente nos promotores da injustiça. Extinguimos não apenas biomas, biodiversidade, recursos minerais. Exterminamos povos, culturas, saberes, fazeres, experiências milenares. Disseminamos miséria e escassez sobre a abundância, sob a mesma justificação, desde 1500. Só a tecnologia se transformou – em muitíssimo mais ágil –, hoje capaz de concluir em dias um processo que, outrora, consumiu séculos.

Confesso que me lembrei da Copa de 2016 e das Olimpíadas de 2014 – os custos da recepção ao mundo, o orgulho do povo brasileiro, a síndrome dos campeões... Confesso que minha cara pálida ficou vermelha de vergonha.
É necessário sensibilizar a sociedade brasileira para o grau da covardia e a gravidade do que se executa contra aquelas populações indefesas e contra nós todos, em nome do progresso e do desenvolvimento – de quem mesmo?

Áurea Lúcia
(servidora pública – Brasília/DF)

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sábado, 12 de setembro de 2009

Dia do Cerrado
Manifestantes pedem a parlamentares aprovação da PEC do Cerrado Para marcar o Dia do Cerrado, comemorado nesta sexta-feira (11), integrantes do Movimento Rede Cerrado realizaram manifestação no Congresso Nacional, pela aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 115/95, que transforma o bioma em patrimônio nacional, a exemplo do que já acontece com a Mata Atlântica e a Floresta Amazônica.

Os manifestantes foram recebidos pela senadora Fátima Cleide (PT-RO) e pelos deputados Eduardo Gomes (PSDB-TO) e Rômulo Gouveia (PSDB-PB), que assumiram o compromisso de lutar pela aprovação da proposição. O substitutivo à PEC em exame na Câmara inclui a Caatinga na mesma condição de patrimônio do país.

Participaram da manifestação no Congresso cerca de 30 índios de oito etnias, do movimento Mobilização dos Povos Indígenas dos Cerrados (Mopic). Eles realizaram um ritual esportivo - "a corrida das toras" - com dois troncos de palmeira, com o objetivo de simbolizar a luta pela preservação do bioma cerrado. Ao final, as toras foram deixadas no Salão Negro. Agrupados, os manifestantes também formaram as palavras "SOS Cerrado", no gramado em frente ao Congresso.

Desde o dia 9, cerca de 1,3 mil integrantes de nove estados, representando vários movimentos pela preservação do Cerrado, participam, em Brasília, no Memorial dos Povos Indígenas, do 6º Encontro e Feira dos Povos do Cerrado. O encerramento do evento acontecerá no dia 13.
Fonte: Denise Costa / Agência Senado

Área de Preservação Ideológica!!!

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