quarta-feira, 14 de julho de 2010

Exposição Flora Brasiliensis na Serra dos Órgãos

 Uma exposição sobre a Flora Brasiliensis, considerada o mais completo levantamento da diversidade vegetal brasileira, acaba de ser inaugurada no Parque da Serra dos Órgãos, localizado no Estado do Rio de Janeiro.

A mostra, que seguirá até maio de 2011, reúne 28 painéis com reproduções de gravuras do naturalista alemão Carl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868) e traz relatos sobre suas viagens pelo Brasil.

Os painéis, pertencentes ao acervo da FAPESP, fazem parte da exposição Flora Brasiliensis On-line, produzida pela Fundação quando da disponibilização da obra de Martius na internet.

A exposição foi apresentada inicialmente em março de 2006 em Curitiba (PR), durante a 8ª Reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP 8), ocasião em que foi feito o lançamento da obra original na internet, por meio de uma parceria entre FAPESP, Fundação Vitae e Natura Cosméticos.

A Flora Brasiliensis levou mais de meio século para ser concluída e é resultado da dedicação de Von Martius, August Wilhelm Eichler (1838-1887) e Ignatz Urban (1849-1931), entre outros especialistas.

Na obra original estão descritas 22.767 espécies, que representam o conjunto das plantas conhecidas até meados do século 19. Na obra também estão 3.811 ilustrações de plantas, flores, frutos e sementes.

De acordo com Ernesto Bastos Viveiros de Castro, diretor do Parque da Serra dos Órgãos, a exposição é oportuna porque se soma ao acervo do próprio museu.

“Temos um museu que leva o nome de Von Martius e foi inaugurado em 1971, cujo material ainda está disperso. Esse acervo que a FAPESP nos disponibilizou se encaixa perfeitamente com os nossos objetivos, que era o de fazer uma exposição mais ampla sobre sua obra”, disse à Agência FAPESP .

Além dos 28 painéis, o visitante poderá ver no Museu von Martius exemplares da Flora Brasiliensis original, busto e telas sobre o naturalista alemão e sua obra, além de mobiliário da época em que passou pela região.

“A mostra tenta contar a história da expedição de Von Martius pelo Brasil e traz referências sobre sua importância para a ciência, em particular para a área de botânica. A mostra dá mais unidade ao acervo do museu, além de fazer uma homenagem à região serrana do Rio de Janeiro. Um dos painéis de Von Martius destaca justamente a Serra dos Órgãos, uma das regiões que mais o impressionaram”, disse Castro.

Segundo ele, os visitantes poderão ter uma noção sobre a importância do naturalista, a partir de sua história, além de conhecer um pouco do parque criado em 1939. “Desenvolvemos trabalhos especiais de educação ambiental voltados para escolas. Para essa exposição em particular desenvolvemos atividades mais específicas com os monitores”, disse.

A exposição fica aberta ao público todos os dias das 8 às 17 horas. Para visitas em grupo é necessário agendar pela internet. Para entrar no parque, que fica localizado na Rodovia Rio-Teresópolis (BR 116), Km 98, o ingresso custa R$ 10.

Trabalho pioneiro

O trabalho de adaptação da Flora Brasiliensis para a internet foi realizado pelo Centro de Referência em Informação Ambiental (Cria) e pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A digitalização das imagens para o site foi feita pelo Jardim Botânico de Missouri, nos Estados Unidos.

A versão on-line da obra traz os 3,8 mil desenhos, que podem ser consultados pelo nome científico de cada espécie, pelo volume ou pela página da obra impressa. Traz também os textos com as descrições de quase 23 mil espécies.

Apesar de a estimativa atual da diversidade de plantas brasileiras ser de 50 mil espécies, a Flora Brasiliensis é considerada o mais abrangente levantamento da flora do país, sendo utilizada na identificação de plantas e como referência para estudos em botânica do Brasil e de outros países da América do Sul.

Patrocinada pelo imperador da Áustria, Ferdinando I, pelo rei da Baviera, Ludovico I, e pelo imperador do Brasil, Dom Pedro II, a Flora Brasiliensisteve seu primeiro volume publicado em 1840 e o último em 1906, muitos anos após a morte de Martius, em 1868.

Martius percorreu cerca de 10 mil quilômetros por terras brasileiras ao longo de três anos, registrou observações e dados de 20 mil espécies de plantas em quatro dos cinco principais ambientes naturais brasileiros – Cerrado, Caatinga e as florestas Atlântica e Amazônica.

O roteiro da viagem começou nas imediações da Corte do Rio de Janeiro, continuou em São Paulo e Minas Gerais. A expedição cruzou a Bahia, seguindo depois para Pernambuco, Piauí e Maranhão. De navio, rumou para Belém e subiu o Amazonas até o Solimões.
 Fonte: Agência FAPESP

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