domingo, 24 de maio de 2009

O pão do povo (Brecht)

A justiça é o pão do povo.
Às vezes bastante, às vezes pouca.
Às vezes de bom gosto, às vezes de gosto ruim.
Quando o pão é pouco, há fome.
Quando o pão é ruim, há descontentamento.
Fora com a justiça ruim!
Cozida sem sabor, amassada sem sabor!
A justiça sem sabor, cuja casca é cinzenta!
A justiça de ontem, que chega tarde demais!
Quando o pão é bom e bastante o resto da refeição pode ser perdoado.
Não pode haver tudo logo em abundância.
Como é necessário o pão diário, é necessária a justiça diária.
Sim, mesmo várias vezes ao dia.
De manhã, à noite, no trabalho, no prazer.
No trabalho que é prazer.
Nos tempos duros e felizes.
O povo necessita do pão diário da justiça, bastante e saudável.
Sendo o pão da justiça tão importante, quem amigos, deve prepará-lo?
Quem prepara o outro pão?
Assim como o pão, deve o pão da justiça ser preparado pelo povo.

Brecht – poemas 1913-1956, 4ª. ed. São Paulo, Brasiliense, 1990, p. 309. Tomado do Livro de culto da IECLB – Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, 2003.

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