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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Rainha da floresta
Clássico da botânica publicado em 1949 por Frederico Carlos Hoehne, o livro Iconografia de Orchidaceas do Brasil é relançado pelo Instituto de Botânica de São Paulo (Foto: Reprodução de Iconografia de Orchidaceas do Brasil - Laelia crispa)


Em 1949, o naturalista mineiro Frederico Carlos Hoehne (1882-1959), fundador do Jardim Botânico de São Paulo, publicava o livro Iconografia de Orchidaceas do Brasil, que viria a ser um dos maiores clássicos da botânica no país. Mais de seis décadas depois, a obra de 640 páginas acaba de ser relançada pelo Instituto de Botânica de São Paulo (IBt).

De acordo com Fábio de Barros, pesquisador do IBt que atua na Seção de Orquidário do Jardim Botânico, dirigida por ele em 2002 e 2003, a nova edição é praticamente uma reimpressão do original, com o acréscimo de apenas um prefácio. Se o livro não recebeu uma atualização, do ponto de vista taxonômico, por outro lado manteve integralmente seu valor histórico.
“Trata-se de um livro que marcou época. Foi o primeiro livro abrangente sobre o tema a ser de fato publicado no país. A ideia de Hoehne era fazer um apanhado sobre as orquídeas do Brasil, com uma organização sistemática, ilustrando pelo menos uma espécie de cada um dos gêneros. Foi um trabalho de extrema importância”, disse Barros
Segundo Barros, a edição original está fora de catálogo desde o início da década de 1980. Em sebos de São Paulo ou em sites de vendas de objetos usados na internet, a rara obra pode ser adquirida por valores que vão de R$ 900 a R$ 1.700 reais. A nova impressão custa R$ 200 e pode ser adquirida pelo correio, ou diretamente no IBt.
No livro, Hoehne se dirige a colecionadores de orquídeas, explicando em detalhes como identificar, cultivar, colher, embalar e transportar as plantas. Segundo Barros, o botânico era fascinado pelas orquídeas, às quais se referia como “rainhas da floresta”.
“Ele procura traduzir para os orquidófilos – e não necessariamente para especialistas – múltiplos aspectos do conhecimento sobre as orquídeas. Por causa dessa abordagem, o livro se tornou uma referência para orquídeas no Brasil. Hoehne alcançou seu objetivo, que era facilitar o reconhecimento dos gêneros e popularizar as orquídeas”, declarou.
Antes da obra de Hoehne, o botânico João Barbosa Rodrigues (1848-1909) havia concebido uma iconografia das orquídeas, que seria editada em francês, de acordo com Barros. Mas Rodrigues nunca conseguiu publicar a obra, que foi lançada apenas em 1996, por iniciativa de uma editora da Suíça.
O livro de Hoehne, que segundo Barros tem um caráter mais técnico que propriamente científico, tem o diferencial de abordar o tema por vários aspectos. “Ele teve o cuidado de não se limitar à taxonomia vegetal e à identificação e descrição das plantas. Há um capítulo, por exemplo, sobre a distribuição das orquídeas no país. E ele faz isso em um tom interessante, descrevendo as espécies como se estivesse fazendo uma viagem por várias regiões”, disse Barros.
Outra característica especial do livro, segundo Barros, é que Hoehne procura popularizar o uso das orquídeas em esferas que fogem ao convencional. Um dos capítulos discorre sobre o uso das orquídeas em ornamentação. “Mas ele não trata do uso da planta em si como ornamento e sim das aplicações de seus formatos e cores em design de objetos. Ele faz, por exemplo, propostas de azulejos, pisos e enfeites com ornamentação inspirada nos padrões das orquídeas”, explicou. Pioneirismo ambiental
De todos os aspectos inovadores da obra, um chama a atenção pela atualidade: em várias partes do livro, segundo Barros, o autor faz comentários sobre a destruição das matas e sobre a necessidade de preservação ambiental. “Isso não era algo trivial no meio do século 20. Hoehne foi verdadeiramente um pioneiro em relação à preocupação com a conservação do meio ambiente”, disse Barros.
Outra preocupação pioneira de Hoehne, segundo Barros, era a divulgação da ciência para o grande público. Isso fica evidente no livro, em várias referências feitas às excursões que o botânico organizava para atrair o público e transmitir conhecimento sobre as orquídeas. Hoehne também publicou um número imenso de artigos de divulgação em jornais.
“Quando foi convidado pelo governo paulista, em 1928, para implantar o horto botânico que viria a ser o embrião do atual Jardim Botânico, sua primeira iniciativa foi o estabelecimento de uma estrutura para um orquidário. Ele justificava isso dizendo que as orquídeas eram plantas que chamavam a atenção do público e que o orquidário atrairia pessoas para visitação – o que revela uma visão muito moderna”, declarou Barros.
De acordo com Barros, a Iconografia de Orchidaceas do Brasil é uma expansão do Álbum das Orchidaceas Brasileiras e o Orchidário do Estado de São Paulo, lançado em 1930, na ocasião da fundação oficial do orquidário paulistano, para ser distribuído entre os visitantes.
“Em grande parte, esses dois livros são responsáveis pela popularização das orquídeas. Hoje, só a cidade de São Paulo tem quatro associações de orquidófilos diferentes. Desenvolveu-se uma cultura em torno da planta, que é bastante atraente, pois a maioria das espécies cultivadas é muito exótica”, afirmou.
Nascido em Juiz de Fora (MG) em 1882, Hoehne foi autodidata e começou a trabalhar no Rio de Janeiro como jardineiro. Profundamente dedicado a estudos de botânica, atuou no Museu Nacional, na capital fluminense, e na Comissão Rondon, com a qual excursionou pelo Brasil, responsabilizando-se pelas coleções de plantas.
Em 1917, Hoehne foi convidado pelo diretor do Instituto Butantan, Vital Brazil (1865-1950), para criar um horto botânico para estudos de plantas medicinais em São Paulo, onde se instalou. Em 1928 responsabilizou-se pela implantação de um novo horto botânico na Zona Sul da capital paulista. Ali nasceu o Jardim Botânico de São Paulo, fruto de um projeto de sua autoria.
Entre 1938 e 1941, Hoehne foi diretor-superintendente do Departamento de Botânica do Estado de São Paulo. Em 1942 , tornou-se o primeiro diretor do Instituto de Botânica, cargo que manteve até 1952.
Em sua trajetória, Hoehne publicou cerca de 117 trabalhos científicos, 478 artigos em jornais e revistas e proferiu inúmeras palestras, conferências e cursos nas diversas áreas de botânica, além de editar quatro livros infantis.


Iconografia de Orchidaceas do BrasilAutor: Frederico Carlos Hoehne Lançamento: 2010 Preço: R$ 200Páginas: 640 Mais informações: (11) 5073-6300 – Ramal 313.
Fonte: Agência FAPESP

Por Fábio de Castro
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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Orquídeas serão devolvidas à natureza
Quem vê a floresta amazônica lá do alto, logo a descreve como um mundo verde. Muitos ignoram a variedade de tons escondidos entre as árvores gigantescas. Famosas pela beleza de suas formas e cores, as orquídeas são encontradas em quase todos os países do mundo. Estima-se que sejam mais de 35 mil espécies. Na Amazônia, já foram catalogadas 709, 260 delas genuinamente paraenses.
Apesar da diversidade, a coleta indiscriminada e a devastação de seus habitats ameaçam a sobrevivência das orquídeas amazônicas. Algumas espécies, típicas das áreas de várzea da Região Metropolitana de Belém, hoje, são raramente vistas em ambientes naturais. São encontradas somente em orquidários particulares. "Pouco tem sido feito para reverter esse quadro desolador, apesar da unanimidade quando se fala da beleza e da importância ecológica das orquídeas", alerta o professor Marco Antônio Menezes Neto, da Faculdade de Biologia da UFPA.
Laboratório: mais flores em menor tempo
Além do aspecto ornamental, orquídeas fornecem produtos alimentícios, fármacos ou matérias--primas aproveitadas pela indústria, e imprescindíveis serviços ambientais. Na natureza, elas estão quase sempre no alto das árvores. O pesquisador Marco Antônio Menezes Neto esclarece que "é comum encontrarmos pessoas que consideram as orquídeas parasitas e, por isso, retiram-nas das árvores onde elas se fixam. Na verdade, as orquídeas estão procurando, apenas, um lugar ao sol para fazerem a fotossíntese e não prejudicam essas outras plantas. Elas se alimentam de nutrientes contidos na água da chuva e na poeira do ar, além de estabelecerem, comumente, uma relação muito específica com fungos que auxiliam em sua nutrição”.
Nenhuma espécie botânica é capaz de produzir tantas sementes num único fruto como as orquídeas. Embora produzam até milhões de sementes no ambiente natural, apenas algumas germinam e pouquíssimas se tornarão plantas adultas. A germinação das sementes depende de uma relação mutualística com fungos, que nutrem os embriões durante os estágios iniciais de desenvolvimento. “As orquídeas também se relacionam com determinados insetos, desenvolvendo sofisticadas estratégias para atrair os polinizadores. Daí, a beleza incomum e o cheiro agradável de suas flores.", conta Marco Antônio Menezes Neto.
Em laboratório, a cultura assimbiótica ou semeadura in vitro de orquídeas aumenta a porcentagem de germinação. A técnica consiste em cultivar as sementes em meio nutritivo até que se transformem em plantas completas. “Esse método é importante do ponto de vista comercial e ecológico, pois possibilita o aumento da variabilidade genética das espécies propagadas e permite a produção de um grande número de orquídeas em um curto espaço de tempo", revela o pesquisador.
Ele explica que há outras formas de reprodução de orquídeas, as quais funcionam como uma espécie de clonagem das plantas. No entanto, como o objetivo da pesquisa é reintroduzi-las em seu ambiente natural, é interessante que elas sejam diferentes entre si, ou seja, “precisamos assegurar a variabilidade genética para aumentarmos as chances de que as orquídeas voltem a habitar um determinado ambiente natural. Assim, elas estarão mais preparadas para enfrentar as adversidades de seu meio”, justifica.
"Já multiplicamos 27 espécies, cerca de dez delas são amazônicas, a maioria do gênero cattleya. A intenção é ir aumentando esse número gradativamente, por isso precisamos da colaboração de orquidófilos que possam doar material para a coleta de sementes. Não precisamos de mudas ou de flores, basta uma autorização para ir até a planta e coletar seu fruto, que, normalmente, é descartado pelo criador. Também podemos reproduzir, in vitro, espécies a pedido dos orquidófilos. Estamos abertos a parcerias”, convida Marco Antônio Menezes Neto.
Em breve, de volta à floresta
O projeto iniciou em agosto de 2007 e, em breve, será hora de reintroduzir as plantas adultas no meio ambiente. Elas serão plantadas em áreas de preservação públicas e privadas. "Já fizemos alguns contatos e pretendemos plantar orquídeas no Jardim Botânico da Amazônia Bosque Rodrigues Alves, no Parque Ambiental do Utinga, no Museu Zoobotânico Emílio Goeldi, no Crocodilo Safari Zoo e em uma área privada localizada, em Santo Antônio do Tauá. Quando o momento chegar, vamos convidar escolas de ensino médio e fundamental para participarem da reintrodução, com o objetivo de despertar nesses jovens a consciência da importância da preservação dessas plantas", revela o professor.
As orquídeas amazônicas pertencem, principalmente, aos gêneros Catasetum; Epidendrum; Maxillaria; Habenaria e Encyclia. Os três primeiros ainda são vistos em Belém. "Esses gêneros conseguiram desenvolver algumas estratégias para se adaptarem às modificações feitas pelo homem no espaço. Uma espécie do gênero Maxillaria, por exemplo, é encontrada no alto das mangueiras distribuídas pelo Centro de Belém”, lembra. No entanto, o pesquisador adverte: “essas situações não diminuem os riscos de desaparecimento de espécies pela destruição das áreas verdes que restaram na cidade ou pela retirada predatória das plantas e flores, o que já pode ter extinguido orquídeas endêmicas, ou seja, as que só existiam em um determinado lugar nem sequer foram descobertas”.
Para Marco Antônio Neto, as plantas produzidas in vitro, a partir do cultivo assimbiótico de sementes, são altamente interessantes para programas de reintrodução de espécies nativas em áreas de preservação ambiental, e talvez programas desse tipo sejam a única solução viável para salvar algumas espécies de orquídeas amazônicas. “A possibilidade de admirar a beleza das orquídeas não pode ser um privilégio de poucos. A beleza de suas flores deve promover a satisfação da coletividade. Para isso, é fundamental que essas plantas maravilhosas sejam reintroduzidas em parques, praças, jardins botânicos ou em qualquer área acessível ao público”, deseja.

por Glauce Monteiro
foto Alexandre Moraes
Fonte: beira do rio Jornal da Universidade Federal do Pará
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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Carla Bruni e Michele Obama, as rainhas

Carla Bruni e Michelle Obama são conhecidas internacionalmente por serem primeiras-damas de dois dos países mais desenvolvidos do mundo. Porém, mesmo quando seus maridos saírem do poder e apenas os historiadores se lembrarem de Nicolas Sarkozy ou Barack Obama, os nomes de suas esposas permanecerão eternizados. No seio da democracia, as duas viraram rainhas. E, como toda rainha que se preza, receberam um título pomposo: Laelia purpurata var. Flammea ‘Carla Bruni’ Hort. Ex L. C. Menezes cult. nov. e Laelia purpurata var. werkhaueserii-striata ‘Michelle Obama’ Hort. Ex L. C. Menezes cult. nov..

A pessoa capaz de transformar primeiras-damas em rainhas é a analista ambiental e chefe do Orquidário Nacional do Ibama, Lou Menezes, uma das mais respeitadas pesquisadoras de orquídeas do mundo, que também é engenheira florestal e bióloga com habilitação em botânica e ecologia. “Laelia purpurata é conhecida como a rainha (das orquídeas). Em minhas descobertas, resolvi homenagear três mulheres rainhas”. A terceira homenageada é Maria Tereza Jorge de Pádua, ex-presidente do Ibama e da Funatura, além de ter sido membro da WWF e da IUCN. Segundo Lou, Maria Tereza é a pessoa diretamente responsável por, sozinha, criar as maiores áreas de proteção ambiental do mundo, tendo participação decisiva no estabelecimento de 15 unidades de conservação no Brasil, que cobrem mais de 15 milhões de hectares.

Livros
As fotos desses cultivares estão no novo livro da pesquisadora, “Laelia purpurata, A Rainha”, lançado em julho, em Santa Barbara/EUA, num grande evento internacional para colecionadores, pesquisadores e paisagistas, que ocorre todos os anos. “Esta é a flor de Santa Catarina, único estado brasileiro que tem uma orquídea como símbolo”, explica Lou. Ela acrescenta que, pela planta ser reconhecida mundialmente por sua beleza e perfume, o nome extrapola a espécie e é usado como marketing da indústria, sendo colocado em vários produtos, como perfumes e sapatos.

Lou Menezes já lançou outros seis livros e tem previstos mais dois para o ano que vem: um sobre Cattleya walkeriana, orquídea do Brasil Central “extremamente procurada e enaltecida no exterior, principalmente nos países asiáticos” e outro com o nome de Orquídeas de Brasília, para comemorar os 50 anos da capital do país. Segundo ela, foram os livros que tornaram-na conhecida no mundo. O primeiro foi sobre Cattleya labiata, espécie do nordeste brasileiro. “Esta orquídea é muito importante porque deu origem, no exterior, ao hibridismo com plantas de flores grandes e cores diversas”, informa, frisando que as pessoas no Brasil não souberam, durante muito tempo, o valor de sua importância no contexto mundial das orquídeas. A chefe do orquidário estuda orquídeas em seus diferentes gêneros. “Meu objetivo é divulgar e preservar as orquídeas brasileiras por meio de livros”, revela.

Orquidário e trabalho
O local principal onde realiza suas pesquisas é o Orquidário Nacional do Ibama, que surgiu em 1984 e era apenas uma tenda. Ao longo desses anos, a estrutura ganhou corpo e uma bela arquitetura em madeira, tela e vidro. Atualmente, existe, no centro, uma coleção de mais de dois mil exemplares, inclusive de plantas raras ou extintas na natureza. O orquidário é a infra-estrutura do Projeto Orquídeas do Brasil, que abriga as coleções, as quais vão aumentando de acordo com as pesquisas. Cada subprojeto tem o objetivo de produzir um livro. “Povo sem livros e bibliotecas não tem memória. Neste sentido, meus livros são um legado às gerações futuras”, admite.

“Conheço doutores em orquídea que vivem em estado compulsivo de intenção de pesquisa e nada produzem. De que serve o conhecimento para ficar guardado numa gaveta?”, critica. Além das pesquisas, Lou é também colaboradora na emissão de selos para os Correios do Brasil com textos explicativos e fotos, profere palestras no Brasil e no exterior como convidada de instituições, e tem dois projetos especiais: propagação artificial de espécies nativas e um programa de educação ambiental nas escolas voltado para crianças. Em relação ao primeiro projeto, orquídeas extintas na natureza são polinizadas no Orquidário Nacional do Ibama, preparadas e mandados os casulos para laboratórios, que se incumbem de transferir as mudas para dar continuidade às espécies. Quanto à educação ambiental, é um projeto do coração. “No meu entender, o futuro do planeta depende das crianças e das florestas”, informa.

Descobertas e homenagens
Natural de São Luís do Maranhão, a analista ambiental veio para Brasília com 13 anos. Por causa de sua eloquência, muitos da família esperavam que fosse jornalista ou diplomata. “Herdei a verve comunicadora de meu pai”, revela. No início da adolescência, foi “picada” pelo fascínio pelas orquídeas. Ela diz que durante a faculdade escreveu alguns artigos, mas apenas quando entrou no antigo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal – IBDF, um dos órgãos que originou o Ibama, em 1982, é que começou a trabalhar com as família orquidácea. “À luz da ciência, descobri quase uma centena de orquídeas novas, descritas e registradas por mim nas revistas especializadas nacionais e internacionais. Hoje em dia, qualquer livro de orquídeas que sai no exterior cita meu nome como referência nesse campo”, avalia.

Além das “rainhas”, ela homenageou o ex-presidente russo Gorbachev, prof. Lutzemberger, Pe. Gonzales (“botânico, culto e meu professor de latim”) e o Ibama, além de outras personalidades, batizando algumas de suas descobertas com essas alcunhas. Mas também foi muito homenageada por outros pesquisadores. “Há várias orquídeas com meu nome”, conta. Ela lamenta, por outro lado, as orquídeas que nunca receberão designação. “As orquídeas, de maneira geral, estão ameaçadas de extinção, pois os ambientes naturais têm sido depredados para a construção de cidades e barragens, áreas agrícolas e de pastoreio. Não sabemos quantas desapareceram sem sequer serem classificadas, muito menos estudadas. Sumiram”. Para a chefe do orquidário, a preservação se faz em progressão aritmética e a devastação acontece em progressão geométrica.

Reconhecimento
Lou Menezes cresce nas adversidades. “Sou muito crítica e atarefada. Mas, se não houvesse barreiras, talvez não produzisse como tem acontecido”, analisa. Ela recebeu vários prêmios internacionais em reconhecimento ao seu trabalho (Prêmio Conferência Mundial de Orquídeas – Miami, 2007 – a melhor palestra; Prêmio Excelência, pela revista Orchid Digest, em 1990, a maior publicação sobre orquídeas do mundo; e a Grande Medalha de Reconhecimento pelo Meritoso Trabalho de Pesquisa no Mundo das Orquídeas, em 2006, pelo Orchid Digest Corporation, que só é dado às pessoas que mais se destacam no mundo – a única brasileira a receber). Além disso, foi capa na Orchid Digest e apareceu em publicações da Rússia, África do Sul, Alemanha, Estados Unidos e de vários outros países.

Segundo ela, não existe uma orquídea pela qual não seja apaixonada, apesar de ter certa predileção pelas do gênero Cattleya e Cyrtopodium. Mas a rainha Laelia a fascina de maneira inexplicável.

Para muitos, Lou Menezes é espécie rara e única, como várias das orquídeas que estuda. “Tenho dependência emocional dessas plantas”, revela. Mesmo que ela afirme isso, há apenas uma palavra para descrever essa relação: simbiose.

Fonte: Ascom Ibama
Luis Lopes
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