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quarta-feira, 10 de abril de 2013

Brasil faz exposições de desenhos e charges em Portugal

Lisboa – A Fundação Nacional de Artes (Funarte) promove a partir desta semana duas exposições de desenhos e charges brasileiras em Portugal. A primeira é uma exposição inédita de 30 trabalhos gráficos de Millôr Fernandes, inaugurada nessa terça-feira à noite (9) na Fundação Mário Soares, em Lisboa.

A outra exposição, Traçando o Brasil – Três Séculos de Desenho de Humor, será inaugurada sexta-feira (12) à noite (12) no Museu de Arte Moderna de Sintra, a cerca de 30 quilômetros de Lisboa. Além de charges do próprio Millôr, a mostra traz desenhos dos seus contemporâneos Fortuna, Jaguar, Henfil e Ziraldo, de autores atuais como Angeli, Caco Galhardo e dos irmãos Paulo e Chico Caruso, além de desenhistas antecessores dos séculos 19 e 20.

O filho de Millôr, Ivan Fernandes, diferencia os trabalhos apresentados nas duas exposições. “A palavra charge vem do francês e quer dizer originalmente 'carga'. É um desenho essencialmente crítico. O cartum [como os expostos em Lisboa] não tem essa obrigação, aqui não tem nada ligado à charge”, disse à Agência Brasil.

Entre charges e cartuns, Ivan calcula que o pai tenha feito mais de 7 mil desenhos. Para a exposição foram escolhidas obras do acervo particular de Millôr, que eram guardadas em sua casa ou em seu escritório, ambos em Ipanema, no Rio de Janeiro.

O conjunto apresentado em Lisboa é inédito e é a primeira exposição com os trabalhos de Millôr após a sua morte em março do ano passado (aos 89 anos). Segundo Ivan Fernandes, Millôr, “apesar de ser procurado por galerias”, só fez três exposições, em 1957, 1961 e 1965, e participou de uma mostra conjunta em 1986. “Ele gostava mais do jornalismo diário”, diz o filho, ao explicar porque o pai não se dedicou mais às artes plásticas.

A exposição foi aberta pelo ex-presidente de Portugal Mário Soares. O acervo de Millôr Fernandes no Brasil está a cargo do Instituto Moreira Salles e também circula nas redes sociais. A exposição em Lisboa vai até 30 de maio.

As duas exposições marcam a passagem do Ano do Brasil em Portugal, que esta semana ainda promove no Espaço Brasil (também em Lisboa) shows com Tunai, Cida Moreira, o DJ Mam e Márcio Faraco.

O governo brasileiro estuda a possibilidade de manter em funcionamento o Espaço Brasil em Lisboa após o término do Ano do Brasil em Portugal. Amanhã (11), o chanceler Antonio Patriota visita o local.
Fonte: Agência Brasil.

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quinta-feira, 31 de maio de 2012

O humor na obra de Noel Rosa

"Sambista da Vila Isabel" introduziu um tipo de ironia
em suas canções que influenciou gerações de compositores
 da música popular brasileira, avalia pesquisa
As letras de sambas emblemáticos de Noel Rosa (1910-1937), como Com que roupa?, Malandro medroso e Gago apaixonado, são carregadas de um tipo de humor e ironia fina que fizeram escola na música popular brasileira.
Enquanto em outros sambas clássicos e marchinhas de carnaval de compositores contemporâneos e parceiros de Noel Rosa, como Braguinha (1907-2006) e Lamartine Babo (1904-1963), as agruras da vida são tratadas em tom de deboche, nas canções do Noel Rosa, o “poeta de Vila Isabel”, a falta de trabalho e dinheiro ou as dores do amor despertam um riso que ao mesmo tempo é a expressão de uma dor. São músicas com uma carga de autoironia que sugere desprezo pelos valores dominantes na sociedade da época, com um resquício de amargura.
As marcas e o legado da obra de um dos maiores e mais importantes compositores da música brasileira são analisadas no livro Noel Rosa – o humor na canção, lançado no início de maio com apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Publicações.
Resultado de um trabalho de doutorado realizado por Mayra Pinto na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), com Bolsa da FAPESP, o livro aborda como a obra de Noel Rosa é calcada em um tipo de autoironia que até então não havia nas canções populares.
“O eixo da obra de Noel é uma figura ambígua o tempo todo, que diz sem dizer, que brinca de dizer”, disse Mayra, autora da pesquisa e do livro à Agência FAPESP.
“Ele se apropriou da ginga do malandro, no sentido filosófico, e criou o personagem de um sambista frágil e vagabundo, sem forças, dinheiro e reconhecimento que, por outro lado, é capaz de criticar, colocar o dedo na ferida e dizer que não está interessado nos valores dominantes do trabalho, da moral e outros, da sociedade”, disse.
Em Com que roupa, seu primeiro samba gravado, por exemplo, o compositor se apresenta como um malandro que não tem dinheiro sequer para vestir uma roupa adequada para ir à roda de samba devido à crise financeira mundial de 1929.
Já em Filosofia, ele se queixa da incompreensão do mundo à respeito de sua condição de sambista e relata sua estratégia para lidar com essa dor em versos como: “Mas a filosofia/ Hoje me auxilia/ A viver indiferente assim/ Nesta prontidão sem fim/ Vou fingindo que sou rico/ Para ninguém zombar de mim”.
“Noel Rosa trabalha o tempo inteiro com a ambiguidade, que talvez seja a marca mais profunda de sua obra e que permite disfarçar a crítica, dizendo de uma forma humorada aquilo que em um discurso sério não poderia ser dito”, disse Mayra Pinto.
De acordo com a pesquisadora, o compositor fez o tipo de discurso crítico de suas músicas justamente pela via do humor e da ironia, diferentemente da década de 1960, quando surgiram as músicas de protesto. Ele se tornou pioneiro na utilização do recurso da ironia por conta de sua competência poética.
“Noel Rosa conseguiu construir estruturas poéticas carregadas de ironia porque dominava muito bem o discurso coloquial, que só a partir da geração dele entrou, de fato, como uma marca linguística de primeira grandeza na canção”, disse a autora do livro.
Ao lado dos modernistas
Segundo Mayra, as mesmas categorias discurssivas identificadas na canções principalmente do fim da década de 1920 e início da seguinte – como o discurso coloquial e as várias categorias do humor, entre as quais a ironia – também podem ser encontradas nas obras iniciais dos escritores modernistas brasileiros, como Mário de Andrade (1893-1945), Oswald de Andrade (1890-1954) e Manuel Bandeira (1886-1968).
“Há um preconceito de achar que somente a cultura erudita é que pensa sobre o mundo e a cultura popular não. E a obra do Noel Rosa, que era um compositor culto, está aí para comprovar que a cultura popular, sobretudo a canção, também é um lugar reconhecido de reflexão”, comparou.
Em seu pós-doutorado, Mayra pretende comparar as obras Alguma poesia e O Brejo das almas de Carlos Drumond de Andrade (1902-1987) com algumas canções de Noel Rosa. “Eles fundaram um mesmo sujeito lírico na cultura brasileira”, disse.
Fonte: Agência FAPESP
Por Elton Alisson

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010


Bora lá enfiar uma rolha no "dito cujo" para evitar a propagação da espécie política..

Área de Preservação Ideológica!!!

Bem vindos a Área de Preservação Ideológica!
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