quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Ibama lança Moda Triste
O Ibama lançou uma operação nacional em quase todos os estados da federação brasileira: a Moda Triste. O objetivo é inibir o comércio de partes de animais silvestres, como objetos de artesanato confeccionados com penas de aves ou esqueletos de animais marinhos, a exemplo de estrela-do-mar e cavalo-marinho. Os fiscais realizaram a busca em alvos pré-determinados e chegaram a apreender um quadro com dois metros de altura feito de borboletas.

Devido ao grande sucesso de operações passadas, várias lojas que antes vendiam esse tipo de produto optaram por não comercializar mais. Isso acarretou uma redução na quantidade de material apreendido. Na operação realizada em 2007, por exemplo, foram apreendidas 9.000 peças e emitidos mais de R$ 3 milhões em autos de infração.

Segundo a chefe de Divisão de Fiscalização de Fauna da Coordenação de Operações de Fiscalização da Dipro, Raquel Monti Sabaini, a Moda Triste é importante para informar às pessoas que não usem artesanato com penas de aves silvestres. “Elas usam sem saber que isso causa a mortandade de animais”, acredita.

Até o fechamento desta edição, foram lavrados 60 autos de infração no total de R$ 735,2 mil em multas.
Fonte: Ascom Ibama
Partituras em Braille

Interpretar notas musicais grafadas em uma partitura é tarefa banal para um músico. Porém, quando o instrumentista é deficiente visual essa atividade se torna muito mais complicada, sem contar os inúmeros obstáculos enfrentados durante o processo de aprendizagem musical.

Entender como um deficiente visual aprende a ler partituras pelo método Braille e analisar o ensino de música e os recursos disponíveis para essas pessoas foi o tema da tese de doutorado “Do toque ao som: ensino da musicografia Braille como um caminho para a educação musical inclusiva”.

O trabalho foi defendido e aprovado na quarta-feira (10/2) por Fabiana Fator Gouvêa Bonilha, no Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com orientação do professor Claudiney Rodrigues Carrasco, do Departamento de Música.

“A motivação da pesquisa surgiu da minha própria experiência”, contou Fabiana, que é bacharel em música e deficiente visual desde o nascimento. Ela explica que o trabalho é a ampliação de sua dissertação de mestrado, intitulada “Leitura musical na ponta dos dedos: caminhos e desafios do ensino de musicografia Braille na perspectiva de alunos e professores” e concluída em 2000.

Tanto no mestrado como no doutorado a estudante contou com apoio de bolsas da FAPESP. Durante o mestrado ela entrevistou estudantes de música com deficiência visual e coletou suas percepções sobre o processo de aprendizagem.

Entre as conclusões, Fabiana levantou que há poucos espaços de formação que atendem às necessidades dos deficientes e a demanda por esses cursos é grande. Essas dificuldades a fizeram voltar para o problema da inclusão musical dos deficientes visuais durante o doutorado.

A fim de compor a tese, a estudante analisou todo o processo a ser percorrido por um deficiente visual que quer ter uma educação formal em música, a começar pelo desafio de encontrar ou transcrever partituras para o código Braille.

Para que a transcrição seja bem-sucedida, é fundamental a figura do transcritor. “Ele tem que ser um especialista tanto em música como em Braille”, apontou. Essa atividade pode ser desempenhada tanto por pessoas que enxergam como por deficientes visuais, de acordo com Fabiana.

Uma das maiores contribuições do estudo foi a formação de um acervo de cerca de 50 partituras vertidas para o sistema Braille durante a pesquisa. Esse material já está disponível no Laboratório de Acessibilidade da Biblioteca Central César Lattes da Unicamp.

“A maioria dessas composições é brasileira. Isso é importante porque podemos fazer um intercâmbio trocando partituras em Braille com instituições de outros países”, disse.

Capacidade de abstração

A partitura transcrita, no entanto, é apenas o início do processo para o estudante com deficiência visual. Fabiana explica que a musicografia em Braille exige muito mais do estudante.

Os símbolos musicais impressos em tinta são convencionalmente grafados em cinco linhas, chamadas de pentagrama. Uma composição para piano, por exemplo, utiliza ao mesmo tempo dois pentagramas, um para cada mão, e um acima do outro para indicar a simultaneidade de algumas notas.

Uma partitura em Braille, por sua vez, contém apenas caracteres resultantes das combinações entre seis pontos salientes. O músico deve interpretar as notas ao toque dos dedos e ler cada linha separadamente e assim inferir a simultaneidade das mãos do piano, por exemplo.

“É preciso um grau de abstração muito maior e uma sólida formação musical”, disse Fabiana. Isso além de uma boa memória, uma vez que o instrumentista deve decorar toda a partitura antes de executá-la.

A pesquisa obteve um levantamento qualitativo baseando-se em três experiências: o aprendizado de musicografia Braille de dois deficientes visuais e a capacitação de um professor de música para ensinar um aluno com deficiência visual.

Como pré-requisito, Fabiana selecionou casos em que os envolvidos tinham conhecimento musical prévio e que o desafio, portanto, seria introduzi-los ao sistema de notação musical em Braille.

Os alunos escolhidos eram aprendizes de instrumentos distintos: violão e teclado, o que exigiu adaptações específicas, pois as partituras desses instrumentos são diferentes.

Deficiência congênita ou adquirida

Fabiana conseguiu traçar algumas diferenças no aprendizado entre deficientes visuais congênitos (de nascença) e os que adquiriram a deficiência ao longo da vida.

Entre as pessoas com deficiência visual desde o nascimento, por exemplo, está a maior prevalência do chamado ouvido absoluto, que é a capacidade de identificar tons musicais em sons isolados.

Isso ocorre porque a deficiência congênita impõe ao indivíduo uma dependência dos sons desde muito cedo. “A importância do som nesses casos é muito maior, pois ele dá toda a referência do espaço”, disse.

Segundo ela, nesses casos a estrutura neuronal é formada logo na primeira infância, visando à enfatizar a audição. “Pesquisas mostram que algumas regiões do córtex visual são realocadas para processar sons nos cérebros de deficientes visuais congênitos”, disse.

Também para esses, o reconhecimento tátil é mais desenvolvido. “O Braille torna-se o primeiro código de escrita, enquanto que na deficiência adquirida é travado um processo de readaptação à realidade”, comparou.

Ao desenvolver a pesquisa, Fabiana colecionou uma série de arquivos sonoros que compreendiam aulas, além de depoimentos de deficientes visuais e de professores de música.

“Achei esse material rico demais para ser guardado e elaborei um roteiro para unir esses arquivos em um audiodocumentário”, conta. Quando o seu orientador ouviu o piloto, incentivou-a a gravá-lo em estúdio.

O resultado é um documentário de cerca de dez minutos com uma trilha sonora adaptada pela própria doutoranda, e efeitos produzidos por equipamentos Braille além das vozes captadas ao longo da pesquisa.

O objetivo da produção, segundo ela, foi retratar a concepção de um deficiente visual. Por esse motivo, propositadamente, a estudante não quis utilizar imagens. “Esse áudio tornou-se a síntese sonora da pesquisa”, afirmou.

O orientador do trabalho, Claudiney Carrasco, considera que a tese de Fabiana é relevante em vários aspectos. “É a primeira contribuição de peso na pesquisa em musicografia braille no país e abre um amplo campo para que mais gente pesquise e contribua nessa área”, afirmou.

O professor da Unicamp também ressaltou o aspecto da inclusão inerente da pesquisa. Para ele, o trabalho traz resultados práticos que vão auxiliar professores de música a interagir com alunos deficientes visuais. “É realmente uma inclusão, não se trata só de aceitar o aluno cego e deixá-lo se virar sozinho. Fabiana propõe um trabalho voltado a atender às necessidades desse estudante", disse.

É justamente a inclusão do deficiente visual no ensino regular de música a principal conclusão da tese, de acordo com Fabiana. Para ela, não são necessárias escolas especializadas em deficientes, mas que as instituições de ensino regulares se adaptem a esses alunos.

Para isso, explica a musicista, seria fundamental a participação de três personagens nesse processo: um professor de música especialmente preparado, um aluno consciente e motivado e um especialista transcritor que possa fornecer material de estudo de qualidade para o processo. Com esses elementos, a grande demanda por instrução musical por parte de deficientes visuais pode começar a ser atendida, aponta.
Fonte:Agência FAPESP

Por Fábio Reynol

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Renda Labirinto
Produção das labirinteiras da Paraíba estará exposta no Museu do Folclore, de 12 de fevereiro a 7 de março

A renda labirinto, atividade artesanal de tradição cultural desenvolvida no Nordeste, principalmente na Paraíba e no Ceará, poderá ser apreciada e adquirida por quem visitar, a partir desta semana, a Sala do Artista Popular, no Rio de Janeiro.

No local, será realizada a exposição Renda labirinto de Chã dos Pereira, distrito paraibano de Ingá, famoso pelas confecções manuais das mulheres labirinteiras. A mostra será inaugurada nesta quinta-feira, dia 11, às 17h, e ficará aberta ao público no período de 12 de fevereiro a 7 de março.

A Sala do Artista Popular integra o Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP) - também conhecido como Museu do Folclore -, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), vinculado ao Ministério da Cultura.

A exposição de renda labirinto dará início à programação anual de mostras naquela sala. Será uma oportunidade para o público comprar e se encantar com artigos como colchas de casal, fronhas, toalhas de mesa e de mão, panos de cozinha e outros que fazem parte do conjunto produtivo das labirinteiras.

A arte do labirinto, atualmente, pode ser encontrada em casas, roupas e em muitos locais de trabalho do Brasil e de vários países. A beleza e a riqueza presentes nas peças chamam a atenção. A técnica se adquire a partir dos conhecimentos básicos tradicionais passados ao longo de gerações. É transmitida de mãe para filha, e assim por diante.

Segundo os estudiosos, hoje a produção do labirinto ocupa papel secundário na economia local, sendo um complemento da renda familiar, tendo em vista, por exemplo, o fato de a comercialização não ser contínua. Por outro lado, existe um grande potencial econômico dessa renda em Chã dos Pereira.

A exposição é uma das ações previstas pelo Programa de Promoção do Artesanato de Tradição Cultural (Promoart), realizado pela Associação Cultural de Amigos do Museu de Folclore Edison Carneiro, por meio de convênio firmado com o Ministério da Cultura e Iphan, com apoio financeiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
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Fonte: Minc

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Brasil se despede de Pena Branca
O músico morreu no início da noite de segunda-feira, aos 70 anos

O choro da viola teve, no início da noite de segunda-feira (8), um significado além da figura de linguagem. O instrumento das mãos de um cantador uberlandense de criação silenciou-se junto ao seu coração. A morte, aos 70 anos, de José Ramiro Sobrinho, Pena Branca para o mundo, “Zé” para a família e “Manuvéi” para os amigos, estampou o nome de Uberlândia, mais uma vez, na imprensa nacional.

Foi assim, desde que Pena Branca e o irmão Xavantinho - Ranulfo Ramiro da Silva, falecido há 11 anos - começaram a tocar e fizeram sucesso dentro e fora do país. Durante os shows, Uberlândia e o Distrito de Cruzeiro dos Peixotos, onde Xavantinho nasceu, eram sempre lembrados. Mas a retribuição não foi a mesma. “Ele foi muito injustiçado pelos empresários e pelo próprio público. Uberlândia perdeu o Pena Branca, tanto que nem aqui ele foi enterrado”, disse o cantor e amigo Luis Dillah.

O músico também uberlandense acompanhou a dupla em vários shows e também na turnê-solo “Semente Caipira”, o trabalho que rendeu a Pena Branca o Grammy Latino de Melhor Disco Sertanejo em 2001. “Ele agora está em um mundo melhor. Vai ser mais ouvido e vai ensinar os artistas a fazer música de dentro pra fora, sem pensar em conta bancária”, disse Luis Dillah.

Os planos com a cidade da infância ficaram para seus seguidores e serão mantidos. Entre eles, o show marcado para 14 de maio, na programação do 7º Encontro de Violeiros em Uberlândia e a 1ª Semana Cultural Pena Branca e Xavantinho, marcada para agosto em Cruzeiros Peixotos, onde está prevista também a construção do Memorial da dupla, segundo o produtor Tarcísio Manuvéi. “Tínhamos projetos interessantes. Nos falamos sábado [6] e ele estava superbem. Foi um baque, mas tenho que continuar o trabalho”, disse Manuvéi, que foi ontem à capital paulista acompanhar o velório do amigo e o enterro, no Cemitério de Pinheiros.

“Ele pra mim é o Zé”, disse a irmã Maria

Pena Branca nasceu em Igarapava (SP) em 4 de setembro de 1939 e foi o primeiro dos sete filhos do casal Dolores Maria de Jesus e Francisco Silva. Três anos mais tarde nasceu Xavantinho, já no Distrito de Cruzeiro dos Peixotos, onde o pai possuía uma pequena lavoura e criava gado em terras arrendadas. Dona Coitinha, como era conhecida Dolores, lavava roupa para fora e ajudava o marido, com quem fazia dupla - ela no vocal e ele no cavaquinho.

Os dois irmãos começaram a tocar na infância, no cavaquinho de Francisco, que morreu em 1950, quando Pena Branca tinha 12 anos e Xavantinho, 9 anos. “Eu tinha 2 anos e o Zé [Pena Branca] ficou no lugar de pai. Ajudou a criar nós tudo. Trabalhava de dia, pra ter o que comer de tarde“, disse Maria Aparecida Silva, irmã da dupla e moradora de Uberlândia.

Cida não foi a São Paulo acompanhar o velório e o enterro do irmão mais velho e, abalada com a notícia, pouco falou à reportagem do CORREIO. “Só tenho pra dizer que ele cumpriu a meta dele aqui e Deus o chamou. Ele pra mim é o Zé. Pena Branca era na hora da profissão”, afirmou.

Rolando Boldrin relembra o primeiro encontro

Morando em São Paulo desde 1968, a dupla participou de um programa de televisão pela primeira vez em 1981, a convite de Rolando Boldrin, na estreia de "Som Brasil" - que ficou no ar na Rede Globo durante seis anos. “Eles foram meu primeiro contrato para gravar um disco com o Selo Som Brasil. Fomos próximos, mas com a morte de Xavantinho, nos afastamos e falávamos de vez em quando”, disse Rolando Boldrin ao CORREIO.

Os irmãos contavam em entrevistas que, no dia no primeiro programa de Boldrin, o apresentador colocou um carro da empresa para conseguir localizá-los, encontrando Pena Branca em um quarto e cozinha em Guarulhos. “Foi uma surpresa para mim a morte dele. Ele viajou fora do combinado, mas penso como Vinicius de Moraes, pessoas assim não morrem, ficam encantadas. Acho que a música perdeu uma das suas grandes figuras”, disse Boldrin.

A dupla gravou junto dez discos. Pena Branca, em 11 anos de carreira solo, gravou mais três trabalhos: “Semente Caipira” (2000), “Pena Branca canta Xavantinho” (2002) e “Cantar Caipira” (2008).

Cantor assistia a notícias do esporte

Pena Branca morreu na noite de segunda-feira (8) por volta das 18h. O cantor assistia a notícias de esporte (era corintiano fervoroso) quando caiu da cadeira onde estava sentado, em sua casa, no Jaçanã, zona norte paulistana. Sua mulher, Maria, chegou a levá-lo ao Hospital São Luiz Gonzaga, no mesmo bairro, onde recebeu atendimento médico.

Ele não vinha apresentando nenhum problema de saúde. Apenas se preocupava com o peso, o que fazia com que, muitas vezes, abrisse mão da paixão que tinha pelos pratos mineiros, como galinhada, leitão à pururuca, que o cativavam desde a infância passada em Uberlândia.

O corpo do cantor foi enterrado ontem, na capital paulista, às 17h, ao lado do irmão Xavantinho e da mãe Dolores.

Fonte: Jornal Correio de Uberlândia

Núbia Mota com Agência Globo

sábado, 6 de fevereiro de 2010

ODISSEIA de Walter Zand no espaço Joaquim Chissano na Mediateca do BCI O artista plástico moçambicano Walter Zand apresenta a sua terceira exposição individual no espaço Joaquim Chissano, na Mediateca do BCI de 16 a 27 de Fevereiro. A mostra com titulo ODISSEIA será composta por cerca de 30 obras nas modalidades de pintura, cerâmica, desenho e instalação.
Na exposição Odisseia, o artista explora visualmente manifestações pertencentes ao universo da literatura visual e dos ritmos das cores da cultura moçambicana, de África e do mundo em geral, fazendo uma releitura permanente das tradições do dia-a-dia.
Para as criações do Odisseia o artista tem como suporte principal, dentre vários nomes, pensamentos de artistas como Fela Kuti (Nigéria) Ricardo Rangel, Malangatana, Mia Couto, José Craverinha (Moçambique)
Nesta terceira exposição individual, o artista pretende mais uma vez apresentar as diversas formas de aprendizagens tidas durante a pesquisa de 2 anos nas cidade de Maputo (Moçambique) – Cidade do Cabo (África do Sul) e a sua busca permanente em técnicas e pensamentos novos na abordagem dos seus trabalhos.
Não querendo pintar apenas para si, Walter Zand apresenta Odisseia para um brinde com os apreciadores das artes e não só.

ODISSEIA
A natureza é a única “culpada” pela existência da Odisseia que hoje presenciamos, pois ela colabora com Walter Zand na concretização dos seus projectos. Afinal a vida é um projecto de sonho! É necessário perceber que a Odisseia, aqui apresentada, não é a do Walter Zand, mas do Messias do mundo dos mortos e dos vivos que ele representa pois, a vida é um eterno retorno.
O Odisseia não é um desabafo, mais sim "fragmentos" de um espelho manifestados em cada um de nós e expressos sob forma de alegria nas mãos de Walter Zand. Como cada Homem possui uma musa, Walter Zand transforma essa musa da literatura, da música, da dança (...) revelando-a nas artes plásticas.
A dialéctica com a natureza e o uso das habilidades, emanadas do Ser Supremo e reveladas pelo artista, “criam” o belo. O belo como manifestação interna da alma. O artista “grita” pela responsabilização social do Homem enquanto ser pensante e altruísta.
O Arco Íris das obras do Walter Zand convidam-nos a uma “terapia” de reintegração de nós mesmos.
Ah ! A génese da longa viagem, até esta paragem, começou quando o menino tinha 10 anos. Na altura, a avó havia lhe entregue dinheiro para comprar amendoim e, em contrapartida, carregado de sonhos “desviou” o valor a favor de algumas “bisnagas” de acrílico que marcaram o início da sua aventura artística.
A presente exposição, destaca os “becos” das zonas suburbanas revelando a outra imagem que em senso comum geralmente são conotados como espaços de maldição.

Para mais informações, queira por favor contactar Walter Zand: (+258) 82 27 98 34 ou pelo email : udufree2@yahoo.co.uk
Por: Ouri Pota Chapata Pacamutondo
(Jornalista e amante das artes plásticas)
Braga, 14 de Janeiro de 2010

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010










Centenário de Morte Joaquim Nabuco

Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo
Nascimento 19 de agosto de 1849
Recife
Morte 17 de janeiro de 1910 (60 anos) Washington
Nacionalidade Brasileiro
Ocupação Política, diplomacia, história, jurista, jornalista
foi um brasileiro político, diplomata, historiador, jurista, jornalista e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras.

Foi um dos grandes diplomatas do Império, além de orador, poeta e memorialista. Além de "O Abolicionismo", "Minha Formação" figura como uma importante obra de memórias, onde se percebe o paradoxo de quem foi educado por uma família escravocrata, mas optou pela luta em favor dos escravos. Nabuco diz sentir "saudade do escravo" pela generosidade deles, num contraponto ao egoísmo do senhor. "A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil", sentenciou.

O verdadeiro patriotismo é o que concilia a pátria com a humanidade.

Biografia
Joaquim Nabuco, bacharel em 1870, embaixador, abolicionista, escritor.Filho do jurista e político baiano, senador do império José Tomás Nabuco de Araújo Filho (Juiz dos rebeldes da Revolução Praieira), e de Ana Benigna de Sá Barreto Nabuco de Araújo (filha de Francisco de Sá Barreto, primo de Francisco Pais Barreto, neto do Senador José Tomás Nabuco de Araújo).

Desposou Evelina Torres Soares Ribeiro, filha de José Antônio Soares Ribeiro, 1º barão de Inoã (ou Inhoã), e neta de Cândido José Rodrigues, 1º barão de Itambi. Dessa união nasceram: Mauricio, que foi diplomata e, como o pai, embaixador do Brasil nos Estados Unidos da América; Joaquim, que foi sacerdote da Igreja Católica, chegando a ser Monsenhor e Protonotário Papal; Carolina, escritora de renome; Mariana e José Tomas, este casado com Maria do Carmo Alvim de Mello Franco Nabuco, filha de Afrânio de Mello Franco, primeiro Ministro das Relações Exteriores do governo de Getúlio Vargas.

Joaquim Nabuco se opôs de maneira veemente à escravidão, contra a qual lutou tanto por meio de suas atividades políticas e quanto de seus escritos. Fez campanha contra a escravidão na Câmara dos Deputados em 1878 e fundou a Sociedade Antiescravidão Brasileira, sendo responsável, em grande parte, pela Abolição em 1888.
Após a derrubada da monarquia brasileira retirou-se da vida pública por algum tempo.
Mais tarde serviu como embaixador nos Estados Unidos da América (1905-1910).
Em terras estadunidenses, tornou-se um grande propagador dos Lusíadas de Camões, tendo publicado três conferências em língua inglesa sobre o tema: The Place of Camões in Litterature, Camões: the lyric Poet, e The Lusiads as the Epic of Love, mais tarde traduzidas para o português por Artur Bomilcar.

Em 1908 recebeu o grau de doutor em letras por Yale, e foi convidado a pronunciar o discurso oficial de encerramento do ano letivo ou dia da colação dos graus da Universidade de Chicago, e um discurso oficial na Universidade de Wisconsin, grandes honrarias.

Também passou muitos anos tanto na Inglaterra quanto na França, onde foi um forte proponente do pan-americanismo, presidindo a conferência de Pan-Americanos de 1906.

Nabuco foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, tomando assento na cadeira que tem por patrono Maciel Monteiro. Entre os imortais, manteve uma grande amizade com o escritor Machado de Assis, que mantinha até mesmo um retrato de Nabuco pendurado na parede de sua residência, e com quem costumava trocar correspondências, que acabaram publicadas.

É homenageado em Campo Grande, MS com o nome de uma importante rua da cidade.

Concepções políticas
Abolição da Escravatura
Nabuco era um monarquista e conciliava esta posição política com sua postura abolicionista. Atribuía à escravidão a responsabilidade por grande parte dos problemas enfrentados pela sociedade brasileira, defendendo, assim, que o trabalho servil fosse suprimido antes de qualquer mudança no âmbito político.

A abolição da escravatura, no entanto, não deveria ser feita de maneira ruptúrica, ou violenta, mas assentada numa consciência nacional dos benefícios que tal resultaria à sociedade brasileira.

Também não creditava a movimentos civis externos ao parlamento o papel de conduzir a abolição. Esta só poderia se dar no parlamento, no seu entender. Fora deste âmbito cabia somente assentar valores humanitários que fundamentariam a abolição quando instaurada.

Criticou também a postura da Igreja Católica em relação ao abolicionismo, chamando ela de "a mais vergonhosa possível", pois ninguém jamais a viu tomar partido dos escravos. E emendou:
“A Igreja Católica, apesar do seu imenso poderio em um país ainda em grande parte fanatizado por ela, nunca elevou no Brasil a voz em favor da emancipação”.
Liberdade Religiosa
Nabuco, ao lado de Ruy Barbosa, assumiu posição de destaque na luta pela liberdade religiosa no Brasil que, na época, tinha a religião católica como oficial, constituindo-se em um Estado confessional. Assim como Ruy Barbosa, Nabuco defendia a separação entre Estado e Religião, bem como a laicidade do ensino público.

Em um discurso proferido em 15 de maio de 1879 que abrangia tanto o tema da educação pública, quanto o da separação entre Estado e Religião, a um aparte de vários deputados, responde:
"Eu desejava concordar com os nobres deputados, em que se deveria deixar a liberdade a todas as seitas; mas, enquanto a Igreja Católica estiver, diante das outras seitas, em uma situação privilegiada (...), os nobres deputados hão de admitir que (...) ela vai fazer ao próprio Estado, de cuja proteção se prevalece, uma concorrência poderosa no terreno verdadeiramente leigo e nacional do ensino superior. Se os nobres deputados querem conceder maiores franquezas, novos forais à Igreja Católica, então separem-na do Estado."

Prossegue: "É a Igreja Católica que em toda a parte pede a liberdade do ensino superior. Essa liberdade não foi pedida em França pelos liberais; mas pela Igreja. (...) E porque reconheça que o ensino deva ser livre? Não. Aí está o Syllabus que fulmina de excomunhão quem o sustentar”. O que ela pretenderia é “a partilha do monopólio para, quando achar-se senhora exclusiva (...), fechar a porta à liberdade e à ciência."

Em um trecho memorável, expressa:
"A Igreja Católica foi grande no passado, quando era o cristianismo; quando nascia no meio de uma sociedade corrompida, quando tinha como esperança a conversão dos bárbaros, que se agitavam às portas do Império minado pelo egoísmo, corrompido pelo cesarismo, moralmente degradado pela escravidão. A Igreja Católica foi grande quando tinha que esconder-se nas catacumbas, quando era perseguida. Mas, desde que Constantino dividiu com ela o império do mundo, desde que de perseguida ela passou a sentar-se no trono e a vestir a púrpura dos césares, desde que, ao contrário das palavras do seu divino fundador, que disse: - O meu reino não é deste mundo, - ela não teve outra religião senão a política, outra ambição senão o governo, a Igreja tem sido a mais constante perseguidora do espírito de liberdade, a dominadora das consciências, até que se tornou inimiga irreconciliável da expansão científica e da liberdade intelectual do nosso século!"

E o orador termina com assegurar que não é inimigo do catolicismo-religião, e sim do "catolicismo-política":
"Não sou inimigo da Igreja Católica. Basta ter ela favorecido a expansão das artes, ter sido o fator que foi na história, ser a Igreja da grande maioria dos brasileiros e da nossa raça, para não me constituir em seu adversário. Quando o catolicismo se refugia na alma de cada um, eu o respeito; é uma religião da consciência, é um grande sentimento da humanidade. Mas do que sou inimigo é desse catolicismo político, desse catolicismo que se alia a todos os governos absolutos, é desse catolicismo que em toda a parte dá combate à civilização e quer fazê-la retroceder".

Por uma ironia, no ano de 2009, em que foi aprovada a lei nº 11.946 que institui o ano de 2010 como Ano Nacional Joaquim Nabuco, foi aprovado um acordo que trata das relações entre o Brasil e o Vaticano e prevê a possibilidade de ensino religioso nas escolas públicas, em franca contradição com as convicções de Nabuco.
Interpretação dinâmica da Constituição
Em discurso pronunciado em 29 de abril de 1879 sobre a então debatida Reforma Constitucional, Nabuco expressou a sua visão dinâmica sobre a interpretação constitucional, algo extremamente avançado para a época, e que ainda nos dias de hoje provoca debates, nos seguintes termos:
"A nossa constituição não é imagem dessas catedrais góticas edificadas a muito custo e que representam no meio da nossa civilização adiantada, no meio da atividade febril do nosso tempo, épocas de passividade e de inação; a nossa constituição é pelo contrário de formação natural, é uma dessas formações como a do solo onde camadas sucessivas se depositam; onde a vida penetra por toda a parte, sujeita ao eterno movimento, e onde os erros que passam ficam sepultados sob as verdades que nascem."

Após manifestações de outros deputados, prossegue:
"A nossa constituição não é uma barreira levantada no nosso caminho, não são as tábuas da lei recebidas dos legislador divino e nas quais não se pode tocar porque estão protegidas pelos raios e trovões... Não, senhores."

Após novos apartes de outros deputados, prossegue:
"A nossa constituição é um grande maquinismo liberal, e um mecanismo servido de todos os órgãos de locomoção e de progresso, é um organismo vivo que caminha, e adapta-se às funções diversas que em cada época tem necessariamente que produzir."

Nabuco, membro do Partido Liberal, conclui:
"Senhores, era o partido conservador que devia tomar as dores pela constituição e desejar que ela fosse o monumento de uma língua morta, uma espécie de Talmude, cujos artigos pudessem ser opostos uns aos outros pelos interpretes oficiais."
Obras
Camões e os Lusíadas (1872)
L’Amour est Dieu - poesias líricas (1874)
O Abolicionismo (1883)
Campanha abolicionista no Recife - 1885
O erro do Imperador - história (1886)
Escravos - poesia (1886)
Porque continuo a ser monarquista (1890)
Balmaceda - biografia (1895)
O dever dos monarquistas (1895)
A intervenção estrangeira durante a revolta - história diplomática (1896)
Um estadista do Império - biografia, 3 tomos (1897-1899)
Minha formação - memórias (1900)
Escritos e discursos literários (1901)
Pensées detachées et souvenirs (1906)
Discursos e conferências nos Estados Unidos - tradução do inglês de Artur Bomilcar (1911)
Obras completas (14 volumes) organizado por Celso Cunha (1947-1949)
Ano Joaquim Nabuco
As comemorações ocorrerão no período de 01 de março a 14 de novembro de 2010.

Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Encontro dos Povos Guarani da América do Sul
A aldeia indígena Tekoha Añetete, localizada no município de Diamante D’Oeste, Paraná, sediará, entre os dias 02 e 05 de fevereiro de 2010, o Aty Guasu Ñande Reko Resakã Yvy Rupa – Encontro dos Povos Guarani da América do Sul. O encontro, realizado pelo Ministério da Cultura, por meio da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural, reunirá cerca de 800 indígenas Guarani da Bolívia (Chiriguano), do Brasil (Kaiowa, Ñandéva e Mbya), do Paraguai (Ache-Guayaki, Kaiowa, Mbya e Ava-Guarani) e da Argentina (Mbya).
O encontro tem como objetivo principal criar uma nova perspectiva de intercâmbio cultural que fortaleça a relação entre os Guarani e reduza o abismo existente entre essas populações e os não-índios. Pretende ainda difundir a cultura dos Povos Guarani e contribuir para uma visão mais ampla da temática indígena no Brasil e na América do Sul.
Estarão presentes, além das lideranças indígenas da etnia, autoridades e convidados dos países participantes. Os dois primeiros dias do evento serão dedicados às plenárias constituídas exclusivamente por indígenas. O terceiro e último dia de reunião serão dedicados à apresentação das considerações e deliberações tomadas em assembléia às autoridades presentes.
Já estão confirmadas as participações dos ministros da Cultura do Brasil, Juca Ferreira, e do Paraguai, Ticio Escobar.
Parceria:Itaipu Binacional, Fundação Nacional do Índio (FUNAI), prefeituras de Diamante D’Oeste e de Foz do Iguaçu, Secretarias de Educação e de Cultura do Paraná, da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA). O Instituto Empreender é responsável pela produção executiva do evento.
Apoio:Mercosul Cultural

Área de Preservação Ideológica!!!

Bem vindos a Área de Preservação Ideológica!
http://www.sitecurupira.com.br/