sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A FARSA DO SETOR NOROESTE
“O que me assusta não é a violência de poucos, mas a omissão de muitos.” Martin Luther King

Prezados amigos, um crime sócio-ambiental está ocorrendo bem debaixo de nossos olhos. A população só conhece a versão oficial da história, que vem sendo propagada pelos meios de comunicação chapa branca, enquanto isso, a última grande reserva do Cerrado dentro da área tombada de Brasília já está sendo destruída e a comunidade indígena que cuida daquele local está sendo expulsa.

O governo arrecada uma fortuna com a chamada " Ecovila" Noroeste, que se diz ser o primeiro bairro ecológico do Brasil, mas na verdade trata-se de um tremendo engodo.
As verdadeiras Ecovilas que se espalham por todo o mundo são criadas em cima de áreas já degradadas pelo homem, aonde os futuros moradores irão recuperar o local , respeitando e se adaptando aos ritmos da natureza.
Na FALSA Ecovila do GDF, existe na verdade um projeto antiquado que será construído em cima de uma reserva ambiental e de um santuário indígena, projeto feito pelas construtoras da cidade e "doado" ao governo local, aonde se criou um bairro de luxo, aonde o desperdício e a ineficiência serão predominantes. Verdadeiras estufas de vidro e granito climatizadas com muito ar-condicionado.
O projeto contraria todo e qualquer princípio de arquitetura ambiental, não pensou-se em criar um zoneamento para preservar a reserva florestal, muito pelo contrário, a avenida principal passa justamente na área com a vegetação nativa mais preservada, e que vem sendo cuidada e mantida pelos índios que habitam a região.
A farsa do projeto "sustentável" é na verdade uma repetição de clichês do chamado "marketing verde" ou melhor “maquiagem verde”, que serve única e exclusivamente para encarecer os apartamentos (captação de água da chuva e paineis solares para aquecimento de água já é lei em várias cidades do Brasil. É uma obrigação das construtoras e não um gesto em defesa da natureza.)
A cara-de-pau do governo e principalmente da imprensa vendida é tão grande que usam justamente as riquezas naturais da reserva do Bananal e citam as suas árvores (copaíba, ingá, angico, baru, açoita-cavalo, barbatimão, pimenta de macaco, jequitibá etc) como itens para vender qualidade de vida para os futuros moradores.
Eles só não dizem que as mesmas árvores estão sendo destruídas por seus tratores na calada da noite.

Com esta farsa o GDF já engordou o seu cofre com 1 bilhão de reais, fora a fortuna que as construtoras irão ganhar (as mesmas que elegeram o atual governador, fora o fato de que o vice-governador é um dos maiores empresários da construção da região).
E com essa fortuna circulando, está todo mundo de bico calado, os deputados distritais defendendo os seus patrocinadores de campanha, o IBRAM órgão que só sabe abençoar o que o governo manda, e os que permanecem em cima do muro, FUNAI e IBAMA que lavam suas mãos convenientemente.
Enquanto isso o cacique Korubo, guardião do local que vinha sendo ameaçado de morte está DESAPARECIDO HÁ SEIS MESES, e uma residência indígena foi incendiada de maneira criminosa. Tenho certeza que vc não leu e não lerá isso no Correio Braziliense.

Mas a atitude do governo e dos empresários já era esperada, estranho seria se eles se comportassem de maneira diferente.
O que não é admissível é ver a passividade do cidadão brasiliense, que terá a sua qualidade de vida extremamente prejudicada por esse tsunami de concreto e asfalto despejados em cima da última grande reserva de Cerrado dentro da área tombada de Brasília. Especialistas em trânsito já falam do caos que virá em nossas ruas, igualando Brasília às demais capitais, com engarrafamentos intermináveis e poluição do ar.
O governo fala que a cidade não tem para onde crescer, assim justificando as suas atrocidades,mas ignora que naquela região poderia ter sido feito um verdadeiro bairro ecológico. Primeiramente delimitando a reserva ambiental e o santuário indígena, depois criando verdadeiras ecovilas nas áreas degradadas ( pelo próprio GDF) do local, usando os princípios do urbanismo ecológico e da arquitetura bioclimática, aonde teria uma população de moradores condizente com a fragilidade do local.
Mas o que está sendo feito é o extremo oposto, uma farra da especulação imobiliária que agride a inteligência da população mais esclarecida. Brasília vai fazer 50 anos, isso aqui não é mais terra de ninguém como pensam os políticos.

O ministério público em março deste ano recomendou a suspenção de todas as licenças emitidas pelo Ibama para a construção do setor noroeste por irregularidades no processo, e recomendou ainda o estudo para a demarcação da terra indígena do Bananal.

A mobilização já está sendo feita, diversas ong´s, grupos estudantis, associações de moradores já estão nesta luta, mas ainda é pouco, precisamos da SUA participação também. Junte-se a nós.


PAREM OS TRATORES JÁ!!!

Contamos com a participação de todos na divulgação deste email, mas o mais importante será a presença física no local, para que todos possam olhar com os próprios olhos a riqueza e a beleza da reserva do Bananal, e a destruição que os tratores da “ecovila” estão causando (vide fotos anexas).
Convidamos portanto para:

TRILHA ECOLÓGICA NO SETOR NOROESTE
Dia 8 de novembro (domingo) a partir das 10 horas, encontro no estacionamento ao lado do canhão que fica entre o setor militar e o setor noroeste. Leve água e protetor solar.

Para que todos despertem para o fato de que uma cidade é feita por seus moradores, e não por políticos com interesses próprios.

Obrigado pela atenção, Movimento Cerrado Vivo
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CARTA ABERTA DA COMUNIDADE INDÍGENA TAPUYA DO SANTUÁRIO SAGRADO DOS PAJES/TERRA INDÍGENA BANANAL SOBRE OS TRATORES QUE COMEÇARAM O TERRORISMO DE DESTRUIÇAO ILEGAL SOBRE NOSSO TERRITÓRIO EM BRASÍLIA


A TERRACAP começou a destruir com tratores uma área preservada pela comunidade indígena Tapuya do Santuário dos Pajés que tem seus direitos caçados de modo arbitrário, ilegal e autoritário. Os tratores abriram uma faixa de mais de 15 kilômetros a 200 metros da cancela branca onde tem guarita do indigena Korubo (ameaçado e desaparecido há 6 meses) ao lado do Santuário dos Pajés. Isso ocorreu em operação clandestina na quarta e quinta feira passadas. Constatamos somente no dia de sábado depois de rondas rotineiras que realizamos no território, pois vínhamos escutando o som das atividades de máquinas já desde muito tempo da área acima da cascalheira ilegal denunciada por Korubo, no entanto quando fomos verificar a dor no peito e as lágrimas nos invadiram profudamente.

A MÃE NATUREZA nos forma como homens e mulheres, como SERES ESPIRITUAIS E SOCIAIS e nos dá nossa identidade cultural e espiritual. Nela estão nossos alimentos, medicinais e também nossos espíritos antepassados. A Terra Mãe é a razão básica de nossa existência e de acordo com a lei espiritual do Grande Tupã não permitiremos tais agressões a nossa essência que é a terra, é a nossa dignidade. Estamos profundamente feridos e indignados junto com a ferida aberta no Cerrado Tapuya pelos tratores da vergonha da TERRACAP ilegalista!

Isso causou um dano ambiental irreparável ao território indígena que aguarda início de estudos para identificação e delimitação ainda não cumpridos pela FUNAI por exigência do Ministério Público Federal e da 6ª Câmara de Revisão da Procuradoria Geral da República de Índios e Minorias que apontou que a FUNAI vem promovendo a cassação Ilegal dos direitos da comunidade indígena Tapuya deixando os índios Tapuyas do Santuário dos Pajés sem defesa ao não cumprir a criação do GT conforme preconiza a Lei 1.775/96 e garantir proteção ao território indígena.

A Procuradora do Ministério Público Federal no DF Dra. Luciana Loureiro recomendou criação do GT para promover a identificação e delimitação da Terra Indígena do Bananal de modo a cumprir o que garante a Constituição Federal e garantir os direitos da ocupação tradicional tapuya do Santuário dos Pajés.

A FUNAI vem desde 1986 postergando a resolução do problema e não cumpre a determinação do Ministério Público Federal desde o dia 16 de março deste ano por isso abriu INQUÉRITO CIVIL PÚBLICO para apurar indícios de improbidade administrativa, crimes como a administração federal e tráfico de influência na FUNAI por está violando o DEVIDO PROCESSO LEGAL e o direito ao contraditório de demarcação de terras indígenas previsto no Parágrafo 8º do artigo 2, da Lei 1.775/96 por parte daqueles que questionam a demarcação de terras indígenas somente após conclusão dos estudos do Grupo Técnico (GT), portanto pela via administrativa e judicial, mas não é o que está acontecendo. A mesma ilegalidade vem cometendo o IBAMA, uma vez que o Ministério Público Recomendou também o cancelamento das licenças.

A FUNAI desde 2003 omitiu na criação de GT conforme a lei quando Laudo Pericial e Estudos antropológicos demonstraram com fundamentação histórica, legal, etnográfica e ambiental que trata-se de ocupação indígena de uso tradicional promovida pelos índios fulni-ôs, os últimos TAPUYAS desde os anos de 1957 quando vieram trabalhar na construção de Brasília e ali vem utilizando a terra para suas manifestações sagradas e espirituais expressando sua cosmovisão, cultura e identidade étnica de modo rico e nítido em suas relações espirituais com a ancestralidade do território e da mata de Cerrado preservado pela comunidade indígena do Bananal. Cabe ressaltar que a Constituição democrática de 1988 no Artigo 231 define o direito à terra a partir do uso tradicional ou forma de ocupação tradicional de acordo com os usos, costumes e tradições e não de “uso imemorial” como previa a Constituição de 1967 do Regime Militar e suprimido pela nova Constituição.

A FUNAI vem omitindo por meio de pareceres sem fundamentação antropológica, técnico-jurídica, etno-histórica com a participação das direções do próprio órgão (Diretoria de Assuntos Fundiários, Coordenação-Geral de Identificação e Delimitação e a Presidência do órgão, o responsável Sr. Márcio Meira Augusto de Freitas) e na defesa inadequada dos direitos de nossa comunidade indígena.

A inércia de Márcio VEM facilitando as ações de violência contra a comunidade indígena do Santuário, ameaças de morte, incêndio criminoso de uma oka da nossa aldeia, pressões para abandonar o lugar e o GRAVE DESAPARECIMENTO de nossa Liderança Espiritual, há 6 meses sumido, o Cacique Kaxaipinha KORUBO ameaçado e pressionado por agentes da TERRACAP e FUNAI. Queremos saber onde está o KORUBO? Queremos sua APARIÇAO com VIDA!! JÁ BASTA DE GENOÍCÍDIO E IMPUNIDADE!! São 509 anos de injustiças e perseguições contra nós e nossos antepassados!! Onde está KORUBO??

A comunidade indígena Tapuya do Santuário Sagrado dos Pajés apresentou também denúncia para Associação Brasileira de Antropologia (ABA) contra a atuação de certos profissionais da antropologia (Nadja Havt Bindá, Juliana Gonçalves de Melo, Artur Nobre Mendes, Maria Auxiliadora Sá Leão e Juliana Burger Sotto-Maior) que agiram contra o Código de Ética do Antropólogo normatizado pela ABA que em seu Artigo 3 alíneas 2 e 3 que dizem: “2. Na elaboração do trabalho, não omitir informações relevantes”, “3. Realizar o trabalho dentro dos cânones de objetividade e rigor inerentes à prática científica”.

Cabe salientar que esses profissionais da antropologia, que chamamos profissionais da “Antropologia Colonialista e Racista”, tem responsabilidade direta e conivência com muitos atropelos legais e crimes de genocídio, etnocídio, deixando a expansão do desenvolvimentismo irracional arrasar as terras, o meio ambiente, os indígenas, sua cultura, e práticas religiosas, espirituais de nossos povos indígenas. Sem a posse das terras como iremos nós desenvolver nossas tradições? . Ou melhor o Terrorismo da TERRACAP e IBAMA, o Genocídio de Gabinete da FUNAI e da “Antropologia” Colonialista nos obriga moralmente a inverter o questionamento: Qual é a tradição deles? qual é verdadeira tradição dos projetos de desenvolvimento e “civilização”: genocídios, racismo, violência, segregação, ilegalidade, injustiça social, miséria, desastre ambiental, mentira, ignorância, exclusão. Depois que tornados, furacões, tempestades, secas, falta de água, violência urbana, agrotóxicos, contaminações, violência social a custa do sofrimento e humilhação das maiorias “minorizadas” pelo processo de segregação social, étnica e econômica.

Essa Antropologia de cunho racista mancha a imagem daqueles profissionais que durante a Constituinte de 1987 lutaram conjuntamente com os movimentos indígenas e movimentos sociais no processo de reconhecimento e consolidação dos direitos indígenas (presentes no Artigo 231 da Constituição), do direito à diferença, do direito à livre manifestação da identidade étnica e indígena perseguida e caçada sistematicamente há 509 anos.

A antropologia colonialista mancha a imagem da disciplina que tem como critério o reconhecimento e o respeito pela diferença e a afirmação dos direitos decorrentes dessa diferença por reconhecer o princípio da diversidade cultural e humana e o da pluralidade e denegar todo ato de governo, Estado ou terceiros que vise impor um tipo hegemônico como autoritarismo étnico, cultural e político. Disciplina que concebe conhecer o Outro na totalidade de sua manifestação para respeitá-lo e não para favorecer a sua negação, a sua aniquilação, a sua perseguição, a sua dominação, o seu descarte. A antropologia construída junto com a ABA e diariamente nos cursos de ciências sociais foi concebida com base no compromisso ético de garantir os direitos históricos à terra por nós indígenas, já num processo de total espoliação fundiária pela colonização do país, e romper e combater o silêncio da violência contra os povos indígenas do Brasil.

Esses profissionais dão um péssimo exemplo aos futuros profissionais da área ao afiançar burocraticamente tanta violência institucionalizada contras as culturas, as vidas, o meio ambiente e as terras indígenas; na verdade trata-se de conivência e participação na perversidade praticada e autorizada por políticos e servidores infames atentos às própria barrigas e aos próprios bolsos.

Ao cinismo de tratores, manipulações antropológicas e administrativas, licenças ambientais ilegais, manipulação dos meios de comunicação (CORREIO BRASILIENSE, GLOBO) e ao fingimento de não saber o que está acontecendo, a verdade persiste em aparecer no caos social e urbano, nos desastres ambientais provocados por ignorância, na guerra da criminalidade nas grandes cidades, nos níveis irrisórios dos indicadores sociais, econômicos e humanos, na concentração de terras e renda recentemente divulgados e rapidamente acobertados com festas de olimpíadas, copa, novelas, em suma alienação social programada pela “tradição”, “usos” e “costumes” daqueles que governam o país há 509 anos.

Isso revela, sim, a verdadeira face da tradição e cosmovisão do Estado Mafiocrático de “Direito” administrado para cassar e perseguir aos povos e comunidades no Brasil, sem distinção de etnia ou cultura, e sua “ilustrada sabedoria” de acadêmicos, togados, agentes econômicos, empreendedores e servidores públicos: barbárie, estupidez, ignorância e intolerância desenfreadas, saques, roubos, injustiças e desmandos de toda ordem. Onde está o Direito e a Justiça onde afaga a mão “invisível” e “inevitável” da mafiocracia, cheio de notas, (será que é tão inevitável e invisível assim? Ou será que a cumplicidade ativa e passiva chega a cegar?). O que dizem eles aos seus filhos e filhas como pais e mães de família?

Se na cultura do branco, tradicionalmente de acordo com os usos, hábitos e costumes da cultura dominante no Brasil, o dinheiro corrompe, lembramos também que o a impotência, o consentir, o cruzar os braços, o não ter tempo, o assistir passivamente, o não agir e seguir levando a vida repetindo o mesmo modelo também faz parte da corrupção e do sistema, também corrompe o espírito e a consciência, o senso de justiça e a ética.

A violação da Constituição Federal (Artigo 231), da Convenção 169 da OIT sobre os povos indígenas e da Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU de setembro de 2007 que garante os direitos à terras, a cultura, a as práticas espirituais e os direitos humanos de nós povos indígenas estão flagrantemente violados na Capital da República do Brasil, Brasília!

Exigimos já a EXONERAÇAO do Presidente da FUNAI SR. MÁRCIO MEIRA AUGUSTO DE FREITAS pela responsabilidade direta nos muitos crimes contra os direitos humanos dos povos indígenas e por favorecer e participar direta ou indiretamente na violação da Constituição Federal, acordo e tratado cumprido com nós povos indígenas em 1988, da Carta da Declaração da ONU sobre os Direitos Humanos Indígenas e principalmente da CONVENÇAO 169 da OIT ratificado pelo Congresso Nacional e promulgado pela Presidência da República, que garante entre outros direitos a participação indígena na tomada de decisões sobre empreendimentos em terras indígenas.

Invocamos o direito à resistência assegurada no Direito Internacional contra os atuais Atos do Estado Brasileiro ou de grupos que suprimam os DIREITOS HUMANOS FUNDAMENTAIS!!

Convocamos todas e todos a lutarem conosco por cada milímetro de nossa Mãe Terra, de nosso sagrado e amado cerrado tapuya para as próximas gerações. Que venham todos juntos conosco os que se cansaram de tanta mentira: indígenas, mulheres, estudantes, crianças, homens de todas as etnias, culturas e crenças e todos os movimentos indígenas (ARPINSUL, APOIME, ARPIB, e outros), sindicatos e associações de profissionais, centrais sindicais, todos os movimentos sociais para a exigir a imediata demarcação de Terra Indígena Bananal Santuário Sagrado dos Pajés, em BRASÍLIA, e exigir a imediata paralisação do terrorismo organizado pelos responsáveis do Estado (TERRACAP, FUNAI E IBAMA) e o cumprimento de nossos direitos JÁ!! Queremos um Brasil de todas as autonomias: indígenas, étnicas, sociais, culturais, econômicas, espirituais e ambientais; um Brasil de todas as liberdades fora do mercado das máfias, da estupidez, das intolerâncias, das agressões aos direitos e à vida, fora do chamado “Brasil: país de todas as Mentiras!”
!!COM MÁRIO JURUNA DIZEMOS NOSSO DOCUMENTO É A TRADIÇAO!!

!!O Santuário dos Pajés Não Se Move!!
!!Basta de Criminosos e Assassinos do Povo Indígena!!
!!Fora Márcio Meira!!
!!TERRACAP E IBAMA: CRIMINOSOS AMBIENTALISTAS!!
!!Setor Noroeste é Ilegal!!
!!Resista Brasília!! 50 anos de estupidez e segregação social e ambiental!!
Comente e passe para frente

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Por uma vigília cívica em socorro ao povo Guarani-Kaiowá
Estive com os Guarani-Kaiowá, em Aty Guasu realizada de 13 a 17, na aldeia Yvy Katu, município de Iguatemi, em Mato Grosso do Sul. A Aty Guasu reuniu cerca de 350 lideranças Guarani-Kaiowá e convidados – entre eles, lideranças Terena e pequena delegação Guarani da Bolívia; antropólogos, representantes da Funai, do Ministério Público e da Advocacia Geral da União, além da senadora Marina Silva e alguns devotados aliados. Cheguei a Ivy Katu no dia 13 e saí à noite do dia 16, depois de anunciada a decisão das lideranças naquela assembléia indígena.

É a construção dessa decisão que me sinto na obrigação de relatar, com extrema preocupação, à sociedade brasileira do século 21.

Durante três dias as lideranças Kaiowá expuseram a realidade de cada comunidade ali representada e questionaram seus convidados sobre as possibilidades ao alcance de cada qual na solução da extrema precariedade em que vivem cerca de 40 mil pessoas daquele povo no Mato Grosso do Sul: as poucas reservas estão em áreas ambientalmente degradadas, são pequenas e abarrotadas de gente, sem as condições mínimas de existência digna – ainda menos conforme os costumes e tradições Guarani-Kaiowá; outras áreas, demarcadas e homologadas mais recentemente, encontram-se igualmente degradadas e ainda invadidas por fazendas monocultoras de cana, soja ou gado, obrigando a comunidade indígena ao confinamento em seu próprio território; outros grupos Kaiowá estão distribuídos em 23 acampamentos – sendo 21 na beira de estradas federais que cortam o Mato Grosso do Sul.

Visitei um desses acampamentos, quando viajava de Campo Grande a Iguatemi. Eram os despejados mais recentes: 132 pessoas – 60 crianças, outros tantos jovens, mulheres grávidas, idosos e um pequeno grupo de homens adultos. Abrigadas sob precaríssimas barracas feitas de galhos quaisquer, cobertas por plásticos sobrepostos, as pessoas se misturam ao que restou de suas roupas e utensílios, sob calor intenso durante o dia, o frio da noite e o desespero nas noites de chuva e vendaval comuns neste período. Não têm água nem lenha para cozinhar o que recebem de doação da Funai. Não têm paz ou segurança, sob constante vigilância e provocação de pistoleiros e seus patrões em torno do acampamento. À noite, tiros de armas de fogo vez por outra alternam com o ronco dos caminhões que trafegam pesados em direção ao Sul industrial do País: cana para fabricação de biocombustível; soja para alimentar o gado europeu – co-exportação de água e minério em grão. Tudo cultivado e colhido sobre crime ambiental que contabiliza apenas 7% do cerrado remanescente à monocultura agropecuária (que sequer alimenta a população brasileira). Produtos do crime, em grande parte comercializados pela Petrobrás e financiados pelo BNDES, para entusiasmo do governo estadual. Incômodos sob as rarefeitas matas ciliares das fazendas, incômodos ao DNIT na beira das estradas, os Guarani-Kaiowá despejados não têm acolhimento em lugar algum – sem nada de seu, além da própria vida.

Essa realidade está posta em grave escala, sob a luz do sol, em área pública. Em alguns casos, estão assim expostos há anos, como legiões de gente absolutamente indefesa, covardemente esbulhada – e, apesar de tudo, invisível.

Na reunião das lideranças, em Yvy Katu, cada um dos oradores indígenas expôs, além da situação de sua comunidade, suas ponderações e uma mesma determinação final. O conjunto das ponderações, em português inculto, esfregava em nossa cara pálida a dimensão de nossa ignorância:

“Eu só queria falar com o juiz que assinou o despejo de minha comunidade. Eu preciso muito perguntar pra ele se, quando mandou nós embora, ele pensava de nós ir pra Portugal ou pra Espanha. Porque nós não veio de lugar nenhum, nós é daqui e nós não tem pra onde ir”.

“Os brancos não sabem que, depois que Deus fez esta terra e botou água nos rios, fez a mandioca e o índio. Por isso o índio é a praga da terra: onde se mata 10, vai nascer 100”.

“O branco pensa que é dono do mundo. Pensa que sabe tudo? Mas ele não sabe de nós, porque chegou ontem. Como poderia saber de nós? Eu já comi a terra que vai me comer – muitas vezes.”

“As autoridades e as leis diz que tem de indenizar o fazendeiro pelas benfeitorias que fez. Que benfeitoria que ele fez? Acabou com a mata e os bichos que viviam nela, secou os rios, envenenou a terra. Fez casa e cerca com a madeira da mata que derrubou pra muito mais que o permitido na lei do próprio branco e ainda matou os índios. Cadê as benfeitorias? O branco tinha de pagar indenização pelos índios que esbulhou, humilhou e matou, além de todo mal que fez pra natureza. E essa indenização devia de ser aplicada no apoio pra quem precisa curar a terra, limpar os rios e refazer suas casas.”

“A cultura do branco é a cultura da enganação. Por isso tem de botar tudo no papel – mas o papel também derrete. O filme dele é sempre assim: o governador mente, o candidato promete, o advogado inventa e o juiz assina. Pura enganação o tempo todo”.

Cada um dos convidados, por sua vez, confessou que não dispõe de meios para alterar o quadro desolador em que vivem essas populações. Cada um dos convidados, a seu modo, reafirmou sua solidariedade, mas também a convicção de que só os índios podem transformar seu destino, sensibilizando a sociedade brasileira para a sua luta, de modo que, juntos, constranjam as autoridades a cumprirem com justiça e devidamente suas funções públicas e as leis.

Enquanto construíam as conclusões de sua Aty Guasu, os oradores indígenas montaram um discurso unânime, feito da soma de expressões mais ou menos assim:

“Disseram que é nós que tem de resolver, não foi? Então nós vai resolver com o único recurso que nós ainda tem.
Avisa lá que nós vai dar um prazo de 30 dias pro governo garantir o trabalho dos tropólo (antropólogo) nas áreas e concluir os estudo que o juiz exige pra nós ter o direito de ficar na sombra da mata, perto do rio, onde ainda tem água, lenha e alguma pouca caça pra nós ir passando enquanto espera a Justiça resolver o resto.
Avisa lá que, se não tiver tropólo nas áreas, em 30 dias, nós vai entrar nos 32 tekohá (terra de origem) com nossos maracá. E, como nós não pode contra as armas dos pistoleiros, nós vai morrer lá mesmo – pode até mandar as máquina escavadeira só pra enterrar nós lá. Porque, se há de nós viver morrendo, escondido atrás do medo, perdido no meio do mundo, nós vai morrer no nosso tekohá. Se não dá pra viver lá, é lá que nós quer morrer e ser enterrado. Porque quem morre pela justiça e o bem é acolhido pelas mão de Deus na eternidade. Vocês avisa lá que o único recurso que nós ainda tem é a nossa vida. Mas o bem do nosso povo é a razão da nossa vida. Esse bem é tão precioso que morrer por isso ainda é pouco”.

Este é o terceiro milênio, o século 21, nós não estamos em 1500. Mas, não nos iludamos, a nossa atitude em relação aos povos originários deste continente ainda é a mesma com que os colonizadores europeus dizimaram 1 milhão de pessoas por século, desde o “descobrimento”. E digo nós, porque os que não o fazemos diretamente, o fazemos por omissão – quem cala consente; ou por consumo do etanol e da carne produzidos sobre o crime ambiental e o genocídio; ou pelo voto displicente nos promotores da injustiça. Extinguimos não apenas biomas, biodiversidade, recursos minerais. Exterminamos povos, culturas, saberes, fazeres, experiências milenares. Disseminamos miséria e escassez sobre a abundância, sob a mesma justificação, desde 1500. Só a tecnologia se transformou – em muitíssimo mais ágil –, hoje capaz de concluir em dias um processo que, outrora, consumiu séculos.

Confesso que me lembrei da Copa de 2016 e das Olimpíadas de 2014 – os custos da recepção ao mundo, o orgulho do povo brasileiro, a síndrome dos campeões... Confesso que minha cara pálida ficou vermelha de vergonha.
É necessário sensibilizar a sociedade brasileira para o grau da covardia e a gravidade do que se executa contra aquelas populações indefesas e contra nós todos, em nome do progresso e do desenvolvimento – de quem mesmo?

Áurea Lúcia
(servidora pública – Brasília/DF)

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terça-feira, 27 de outubro de 2009

Para sempre Amazônia
De 15 a 30 de outubro, o Memorial dos Povos Indígenas da Secretaria de Cultura apresenta a Exposição Para sempre Amazônia, um encontro de artes que celebra a cultura e a beleza da floresta (artesanato Yanomami, Macuxi e Wai Wai), de terça a sexta-feira, das 9h às 18h, e aos sábados e domingos, das 10h às 18h, no Memorial dos Povos Indígenas, localizado no Eixo Monumental Oeste, Praça do Buriti. Informações: 3344-1155 ou 3344-1154.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Retratos do Brasil Negro
Editora lança coleção de biografias sobre ícones da cultura afro brasileira


A coleção, que começa com as biografias de Nei Lopes, Sueli Carneiro e Abdias Nascimento, aborda a vida e a obra de figuras fundamentais da cultura, da política e da militância negra.
A primeira da coleção Retratos do Brasil Negro, escrita pelo jornalista Oswaldo Faustino, é de Nei Lopes, um brasileiro comprometido com sua terra e com a cultura de seu povo. Sempre criativo em suas realizações, ele vem enriquecendo o panorama da cultura nacional com a singular capacidade de elaborar e interpretar a dimensão mais densa e profunda da africanidade no país. Sua vasta obra intelectual e musical constitui um rico acervo de informações e ideias sobre a cultura afro-brasileira, além de refletir de maneira magistral a luta antirracista no país.
Já a segunda biografia, da jornalista Rosane Borges, contempla a história de Sueli Carneiro, ativista antirracismo do movimento social negro brasileiro. Feminista e intelectual, fundadora do Geledés - Instituto da Mulher Negra, Sueli é uma das personalidades políticas mais instigantes da atualidade. Entender sua história de vida, suas influências e as mudanças concretas geradas por sua militância é compreender parte do cenário espacial, político e geográfico do movimento social negro contemporâneo.
Abdias Nascimento, o terceiro biografado da coleção, é um dos maiores pensadores negros do mundo. Sua luta pela igualdade racial e sua vida marcada por desafios são fielmente registradas nesta biografia: da infância humilde à criação do Teatro Experimental do Negro, passando por sua atuação como deputado federal. No livro, a jornalista Sandra Almada recupera a vida e a obra desse dramaturgo, ator, acadêmico, político, artista plástico, poeta e militante reconhecido internacionalmente, resgatando as origens de sua combatividade.
Divulgação

Inscrições abertas para o Festival de música afro-brasileira - FestiAFRO 2009
O "FestiAFRO", em sua quarta edição, é um festival destinado a abrir importante espaço aos compositores e intérpretes da música popular brasileira de todos os gêneros, para desenvolvimento de temas relativos à cultura afro-brasileira.

Promovido pela Prefeitura Municipal de Limeira - Secretaria Municipal da Cultura, será realizado no

Teatro Vitória em três etapas, dias 20, 21 e 22 de novembro de 2009. Tem como objetivo fazer o intercâmbio e troca de experiências entre músicos, compositores, intérpretes, poetas e artistas que venham a valorizar a produção musical e cultural da cidade de Limeira, do Estado de São Paulo e de todo o Brasil. O festival é aberto a todos os compositores e intérpretes do Brasil.

O "FestiAFRO" deverá trazer nas letras das composições inscritas temas como a história e a cultura do povo afrodescendente e sua importância para a formação do povo brasileiro. A valorização da liberdade e a condenação ao preconceito são temas que se enquadram no objetivo do festival.

Informações e ficha de Inscrição, acesse:
http://www.festivaisdobrasil.com.br/festivaisdobrasil/festafro2009.htm

sábado, 24 de outubro de 2009

Nenê Cintra – Lançamento do Cd - Minha Embaixada Chegou Dia (s) 28/10 - SESC Santana Quarta, às 21h.

Neste novo CD, Nenê interpreta sambas das mais variadas vertentes, com uma linguagem da mais pura MPB, ela revisita obras que vão dos clássicos Ary Barroso, Noel Rosa, Baden Powel e Assis Valente aos poetas Chico Buarque e Paulinho da Viola passando pela nova geração com Lenine e Chico Saraiva além Dela própria que também aparece como compositora. Desta forma Nenê passeia livremente pelo universo nosso samba, emprestando sua personalidade às canções, através de interpretações únicas. Formação: Nenê Cintra (voz), Marcelo Mainieri (baixo, direção musical e arranjos), Carvalho (piano) e Alê Damasceno (bateria). Teatro.
http://www.myspace.com/nenecintra

Não recomendado para menores de 12 anos

R$ 10,00 [inteira]
R$ 5,00 [usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante]
R$ 2,50 [trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes]

Avenida Luiz Dumont Villares, 579 - Santana São Paulo – SP - cep 02085-100telefone: 11 2971-8700e-mail: email@santana.sescsp.org.br
Por do Som

Área de Preservação Ideológica!!!

Bem vindos a Área de Preservação Ideológica!
http://www.sitecurupira.com.br/